O atentado à Escola Estadual Professor Raul Brasil, em Suzano, completou dois meses ontem e os alunos seguem tentando se recuperar do trágico episódio que deixou 11 feridos e dez mortos, incluindo os dois autores do tiroteio. No momento em que a reportagem esteve no local, por volta das 12 horas, havia uma viatura da ronda escolar em frente à instituição.
Para a estudante Taissa Lisboa, de 13 anos, ainda é muito difícil ficar com a mente tranquila. "É complicado, porque a minha sala fica em um corredor perto da secretaria e ter que passar por ali todos os dias faz com que eu relembre o que aconteceu", lamentou.
Sidnei Junior, 16, mudou de escola após o massacre, e, no momento da entrevista, ele estava na Raul Brasil para reencontrar os amigos. "Esta semana eu comecei a estudar em outra escola e, apesar de ter deixado meus amigos aqui, estou conseguindo me adaptar bem", contou.
Ao contrário da aluna Ana Beatriz de Souza, 14, que não cogitou a mudança de unidade, e tenta retomar, na medida do possível, a jornada estudantil. "Aqui é um lugar muito bom e, se eu puder, vou estudar aqui até o fim do Ensino Médio", afirmou.
Emanuel Pereira, 16, contou que, embora seja difícil esquecer do episódio, ele acredita que vai ficar tudo bem."Estes últimos dois meses foram muito difíceis para todos, tem alguns alunos que ainda não voltaram a estudar. Eu pensei em me mudar daqui, mas, como agora tem mais policiamento, eu comecei a me sentir seguro", disse.
Giovana Garcia, 16, não estudava na Raul Brasil na data do crime, ela se mudou para lá há cerca de um mês e contou que sempre teve uma boa visão da escola. "Muitas pessoas da minha família já estudaram aqui e sempre falaram muito bem do ensino, então continuei planejando a mudança, já que precisei deixar a cidade onde eu morava", explicou. Em entrevista, ela também disse que evita falar sobre isso com os colegas para não deixá-los mais tristes e ficar relembrando a tragédia. *Texto supervisionado pelo editor.