O ano de 2026, para 30 mulheres que estiveram na sede do Cursinho Popular Maio de 68, na manhã de sábado, 7 de fevereiro, teve um gosto de recomeço. Recebidas com um café da manhã, deram início às aulas da Oficina de Formalização MEI (Microempreendedora Individual), oferecida pelo “Projeto Feira de Artesanato Tradicional e Programa de Capacitação Profissional para Mulheres da Região do Alto Tietê”. A iniciativa, realizada pelo Coletivo Ciranda, tem como objetivo promover a valorização do artesanato tradicional feminino por meio de oficinas criativas voltadas à formação profissional de mulheres trabalhadoras e fazedoras de manualidades. Ao todo, 200 mulheres artesãs da região do Alto Tietê se inscreveram para as oficinas.
“Os critérios de seleção consideraram, em primeiro lugar, a manualidade e o trabalho autoral das participantes, entendendo o saber fazer como pré-condição para integrar o projeto. Em seguida, priorizamos mulheres residentes na região do Alto Tietê. Também adotamos critérios voltados à inclusão e diversidade, buscando contemplar mulheres com maior necessidade de geração de renda e fortalecimento de marca. Foram priorizadas moradoras de bairros mais afastados do centro, mulheres negras, indígenas, mulheres com deficiência e mães”, conta Ana Paula Amaral.
A primeira aula, com o tema MEI, contou com a participação de 30 mulheres. "Todas as selecionadas estiveram presentes. Para a equipe, foi um momento muito especial e motivo de grande alegria ver o engajamento e o comparecimento de todas. A capacitação teve grande importância para melhorar a performance das artesãs como microempreendedoras. A oficina foi conduzida por duas profissionais da contabilidade, que também são artesãs e multiartistas, trazendo um olhar técnico aliado à vivência de quem produz e vive da própria manualidade. O encontro foi prático e operacional, com exemplos concretos que ajudaram a compreender o que é o MEI no dia a dia. As participantes tiraram dúvidas, interagiram bastante e saíram muito satisfeitas, além de animadas para a próxima formação, que será sobre educação financeira”, afirma.
A oficina teve como temas trabalhados: a importância da formalização; como fazê-la, passo a passo; direitos e deveres do MEI; emissão de notas fiscais; contribuição mensal e benefícios (INSS, aposentadoria e auxílio); e organização básica. Além das aulas, cada participante receberá mentoria individual, com 12 encontros online ao longo dos seis meses de duração do projeto, totalizando 360 mentorias.
“Se formalizar MEI é a gente ter a consciência e dizer para o mundo que nosso trabalho tem valor. É uma ferramenta de autonomia, proteção, voz no mercado. É um processo estratégico libertador, não é só burocracia. Ela existe, mas é também proteção, reconhecimento. A mulher passa a ser empreendedora a partir do momento que ela abre um CNPJ e tem sua atividade reconhecida, o que, além de dar o direito de cobrar de uma forma mais justa pelo trabalho que está sendo desenvolvido, dá acesso a alguns direitos de proteção, como o INSS, a aposentadoria, auxílio-doença e emissão de nota fiscal. Com MEI, podemos prestar serviço para empresas, órgãos públicos, escolas, projetos culturais, para editais, facilitam abrir conta pessoa jurídica. E dá para conciliar com a maternidade, a mulher, com tantas responsabilidades, consegue ter flexibilidade de horários. Pode atuar tanto em casa como fora”, afirma Sandra Vianna, responsável pela oficina de sábado.
Fazem parte da grade curricular do Curso de Capacitação ainda as oficinas de Educação Financeira para Mulheres; Mídias Sociais e Técnicas de Vendas Online; Reels com Celular; Canva; e ChatGPT. O “Projeto Feira de Artesanato Tradicional e Programa de Capacitação Profissional para Mulheres da Região do Alto Tietê” conta com apoio do Edital Fomento CultSP-PNAB nº 17/2024.
Ao final do Curso de Capacitação, as alunas terão a oportunidade de aplicar todo o conhecimento adquirido em três feiras previstas para os meses de maio, junho e julho. A entrada será gratuita. As participantes se revezarão nas duas primeiras edições, e a Feira de Encerramento reunirá todas as artesãs formadas pelo projeto.
Coletivo Ciranda
Criado em 2022, o Coletivo Ciranda é uma importante rede de apoio para mulheres artesãs e produtoras agroecológicas em Mogi das Cruzes. A iniciativa fortalece a economia criativa local e promove autonomia econômica por meio de feiras periódicas, oficinas, debates e rodas de conversa.
O coletivo funciona na sede do Cursinho Popular Maio de 68, com atendimento diário, de quinta a sábado, das 11h às 18h, acolhendo mulheres que buscam formação, rede de apoio e novas oportunidades dentro do empreendedorismo criativo.
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