O Grupo de Trabalho de Drenagem do Consórcio de Desenvolvimento dos Municípios do Alto Tietê e Região (Condemat+) definiu as prioridades para 2026, com foco em ações integradas para prevenir alagamentos e fortalecer a infraestrutura. Samuel de Oliveira, secretário de Manutenção e Serviços Urbanos de Suzano, assumiu a coordenação do grupo em janeiro e destacou que entre os objetivos está o acompanhamento técnico do Plano Regional de Drenagem — atualmente em fase de diagnóstico.
 
 A articulação com a SP Águas é destacada pelo coordenador como forma de garantir a continuidade de serviços estratégicos, como o desassoreamento do Rio Tietê. Segundo ele, encontros técnicos deste ano terão início em fevereiro, "reforçando o compromisso contínuo com o planejamento regional e a prevenção de riscos associados às chuvas".

O aguardado Plano Diretor Regional de Drenagem da Sub-Bacia Alto Tietê Cabeceiras, financiado pelo Fundo Estadual de Recursos Hídricos (Fehidro), deve ser um dos principais focos do grupo. A iniciativa engloba Arujá, Biritiba Mirim, Ferraz de Vasconcelos, Guarulhos, Itaquaquecetuba, Mogi das Cruzes, Poá, Salesópolis e Suzano.
 
 Com o objetivo de embasar ações estruturais e intervenções de médio e longo prazo, o plano, segundo Oliveira, tem como pontos a serem trabalhados o mapeamento das áreas críticas, a análise da capacidade dos sistemas existentes, a definição de prioridades da bacia e a proposição de soluções estruturais e não estruturais para prevenção de alagamentos e enchentes.
 
 Desafios e parcerias

O coordenador do grupo do Condemat+ ressaltou que as cidades da região enfrentam desafios semelhantes: crescimento urbano acelerado, ocupação histórica de áreas de várzea, impermeabilização do solo e sistemas de drenagem que, em muitos casos, não acompanharam esse desenvolvimento. "Soma-se a isso a intensificação dos eventos climáticos extremos, que colocam pressão adicional sobre a infraestrutura existente", afirmou.
 
Um exemplo de evento climático extremo foi visto na última quarta-feira (28/01), em Suzano, que, segundo a Prefeitura, registrou 115 milímetros de chuva em menos de 60 minutos, o que causou diversos transtornos. O temporal atingiu também outras cidades da região. "Eventos dessa magnitude desafiam qualquer sistema de drenagem urbana, mesmo os mais modernos", destacou.   
 
 Para Oliveira, a resposta para essas situações está na preparação e na integração entre os municípios: "Não se trata de uma situação que afeta uma única cidade. A atuação regional permite diagnóstico conjunto, priorização técnica baseada em bacias hidrográficas, e não em limites administrativos, e maior força institucional para buscar recursos e apoio do Estado". 
 
 A atuação preventiva já apresenta resultados concretos na avaliação do coordenador. Ele afirma que o Condemat+ mantém diálogo permanente com o Governo do Estado, o que tem resultado em convênios e novos investimentos. Destaque para o trabalho realizado em conjunto com a SP Águas e a Defesa Civil Estadual, o que já possibilitou ações conjuntas e apoio a iniciativas locais de limpeza de rios e córregos. “O Grupo de Trabalho atua de forma articulada com a SP Águas, acompanhando cronogramas de serviços, identificando gargalos operacionais e comunicando de forma institucional as demandas regionais”, afirmou Oliveira.

Participação
 
Antes de assumir a coordenação do Grupo de Trabalho, Oliveira conta que já acompanha as discussões sobre drenagem nas cidades da região. "Suzano sempre teve participação ativa nas discussões regionais, especialmente na Câmara Técnica de Desenvolvimento Urbano. Além disso, integra o Grupo de Trabalho de Drenagem, criado em 2024", finalizou.