A atleta Mônica Fillipon Sato, de Suzano, inicia 2026 dedicada a fortalecer o strongman – ou strongwoman na modalidade feminina – esporte de força que desafia corpo e mente em provas como levantamento, transporte e empurrão de objetos com centenas de quilos. Aos 52 anos e consolidada como a competidora brasileira com o maior número de títulos, ela pretende se afastar gradualmente das arenas para atuar na organização de eventos, oferecendo apoio técnico, divulgação e incentivando novos atletas, especialmente mulheres.

Mônica também seguirá presente nas principais competições do ano. Ela disputará o Arnold Sports Festival South America, na categoria master, previsto para os dias 24 a 26 de abril em São Paulo, e o torneio mundial Official Strongman Games (OSG), nos Estados Unidos, ainda sem data definida. Neste ano, ainda fará sua estreia no powerlifting – esporte de força composto por agachamento, supino e levantamento terra. A preparação para as competições foi retomada recentemente, após uma breve pausa devido a cirurgia que fez no bíceps após rompimento total. 

Além das competições e seguindo o plano de colaborar com o esporte, Mônica já atua na organização de um evento na capital paulista, previsto para o segundo semestre de 2026. “Tenho buscado contribuir não apenas como atleta, mas também ajudando no desenvolvimento do strongman. Acredito que fortalecer o cenário nacional é essencial para o futuro da modalidade”, explica. Entre suas metas, está preparar novas atletas, estimular o respeito entre competidoras e mostrar que é possível disputar grandes competições. “Quero, aos poucos, me afastar da arena competitiva e focar em deixar um legado, ajudando para que mais mulheres levem o nome do Brasil às maiores competições do strongwoman mundial”, completou. 

Carreira 

A atleta iniciou no strongman em 2017 por curiosidade e estreou em competições em 2018, participando de um evento nacional. No ano seguinte, disputou pela primeira vez o Arnold South America, ao lado de brasileiras pioneiras. Já em 2021, conquistou o título mundial no Static Monsters e repetiu o feito em 2022, quando também ganhou seu primeiro título no Arnold South America. Em 2023, estabeleceu recordes no Arnold, no Campeonato Sul-Americano e no Campeonato Brasileiro, e no ano passado, no Arnold Classic, após vencer as três primeiras provas, rompeu o bíceps e ficou com o vice-campeonato na categoria 50+ open. 

Entre seus principais recordes estão o log lift – levantamento de peso em formato de tronco de madeira – de 97 kg, sendo o recorde sul-americano; o apollon deadlift de 310 kg; o deadlift de 220 kg na categoria master, no qual o peso é levantado do chão até a altura do quadril e depois retornado ao chão; o atlas stone shoulder de 100 kg, em que a pedra é levantada do chão até o ombro; e o atlas stone over the bar de 130 kg, prova similar, mas que levanta a pedra acima de uma barra. “Hoje, sou a atleta brasileira com o maior número de títulos na categoria feminina, sempre com respeito à trajetória e às conquistas de todas as atletas do esporte”, conta.

Após quase uma década competindo, a atleta conquistou ainda o reconhecimento de autoridades de Suzano. "Ao longo dos anos, fui homenageada diversas vezes e tenho grande respeito por todos que sempre acreditaram no meu trabalho, em especial o vereador Artur Takayama, o secretário de esportes Nardinho, o ex-prefeito Rodrigo Ashiuchi e o atual prefeito Pedro Ishi. É uma honra representar Suzano e mostrar que mulheres brasileiras podem chegar ao topo do esporte”, destacou. 
 
Esporte

Mônica avalia que o strongman ganhou mais visibilidade nos últimos anos, principalmente pelas redes sociais e os eventos da modalidade. "Ainda assim, é um esporte de nicho no Brasil, e viver exclusivamente dele continua sendo um grande desafio, especialmente para atletas mulheres", afirmou. 

O esporte, segundo a atleta, surgiu nos anos 1970, mas tem raízes em desafios de força realizados há séculos. “Hoje, envolve cargas elevadas, mas também movimentos próximos do dia a dia, como carregar sacolas, levantar objetos do chão, empurrar, puxar e transportar peso", conta. Ela resume como uma modalidade de superação individual: "Cada atleta enfrenta seus próprios limites. Mais do que força física, o esporte desafia corpo e mente, revelando também uma força interior, construída com disciplina, resiliência e determinação”.

Galeria

Foto 1 - Mônica ao lado de mulheres pioneiras do esporte no Arnold 2019 - divulgação
Foto 2- A atleta começou a competir em 2018 - divulgação
Foto 3 - Em 2013, Mônica disputou competição mundial em Londres
Foto 4- Mais recentemente ela competiu no Arnold Classic mundial Ohio 2025, nos Estados Unidos