O Ministério Público do Estado de São Paulo (MP-SP) instaurou um inquérito civil contra a Prefeitura de Mogi das Cruzes para apurar um eventual ato de improbidade administrativa, enriquecimento ilícito e dano ao patrimônio público em relação à contratação de shows para a Expo Mogi, evento que comemora o aniversário da cidade.
De acordo com o MP, o órgão foi informado pela Promotoria de Justiça (PJ) que a administração municipal gastará com a festa R$ 545 mil, verba que, segundo a denúncia, seria utilizada em detrimento de serviços essenciais à população.
A prefeitura confirmou os valores apresentados pela PJ e ressaltou que o montante se refere às apresentações dos artistas Anitta, Rael, Victor Clay, Kevinho e Matheus e Kauan. Ainda esclarecendo a situação, por nota, a administração municpal justificou que os recursos provêm do orçamento da Secretaria de Cultura e já estavam reservados para esta finalidade, alegando que a aplicação dos recursos na festa não compromete e não tem relação com qualquer outro serviço desempenhado por esta ou outra secretaria.
Na câmara
Durante sessão realizada na Câmara de Mogi no mês passado, o vereador Diego de Amorim Martins (MDB), o Diegão, questionou a administração municipal sobre a "moralidade do evento", exemplificando o termo com uma das músicas do cantor Kevinho. Para o parlamentar, a não valorização dos artistas locais e a classificação etária para assistir aos shows são pontos a serem observados. "Impossível que a prefeitura gaste R$ 500 mil com cantores deste porte e não dê prestígio aos artistas locais. O cantor de uma banda de Mogi disse que não cobraria nada para fazer o evento. Mas a prefeitura prefere pagar R$ 110 mil no Mc Kevinho", indagou o vereador em plenário. Procurado pela reportagem, o parlamentar disse que, quanto aos valores aplicados, não há irregularidades. Seu questionamento está baseado apenas na "moralidade do evento".
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