A adoção do programa Escola Cívico-Militar, da Secretaria da Educação do Estado de São Paulo, trouxe melhorias no comportamento dos alunos da Escola Estadual (E.E.) Frei Thimoteo Van Den Broeck, no Jardim Esperança, em Mogi das Cruzes, segundo o diretor Rodrigo Evaristo Sampaio. A unidade é uma das quatro escolas estaduais do Alto Tietê a implantar o programa neste ano, junto da E.E. Euryclides de Jesus Zerbini, também em Mogi, a E.E. Amália Maria dos Santos, em Itaquaquecetuba, e a E.E. Professora Landia Santos Batista, em Ferraz de Vasconcelos.

Desde a implantação do novo modelo na E.E. Frei Thimoteo, na última segunda-feira (2) com o retorno das aulas, o diretor conta que notou mais atenção em sala, respeito durante a troca de aulas e interesse na participação nos ritos cívicos, como o hasteamento diário das bandeiras — uma das novidades do programa. 

Sampaio afirma que a implantação tem sido bem avaliada por professores e pais e já despertou o interesse de dirigentes de outras escolas da região, que entraram em contato para conhecer o modelo. “Nós somos os protagonistas desse modelo no estado, que tem potencial de expandir”, afirma. Ele acredita em uma mobilização da sociedade para que mais unidades de Mogi e região participem.
 
 No Estado, ao todo, 100 unidades começaram a adotar o modelo nesta semana, atendendo cerca de 50 mil alunos, segundo a Secretaria de Educação. A pasta informou que o principal diferencial é o apoio de policiais militares da reserva que atuam como monitores na segurança, disciplina, acolhimento e na promoção de valores cívicos.

Escola
 
 A E.E. Frei Thimoteo atende atualmente cerca de mil alunos do Ensino Fundamental e Ensino Médio nos períodos da manhã e da tarde, contando com 70 professores e três monitores do programa cívico-militar. Para o diretor, os monitores agregam e apoiam a disciplina na unidade.
 
 O diretor destaca que o planejamento pedagógico da escola continua o mesmo, mantendo a autonomia dos professores e da direção, e o programa cívico-militar vem alterando aos poucos a rotina dos alunos.  “O modelo está sendo implantado gradativamente. Não está sendo imposto. Eles (alunos) estão sendo preparados. Basicamente são dadas orientações de postura, de respeito ao momento cívico”. 
 
 Sampaio explica que os monitores circulam pela escola e acompanham momentos como a formação das filas, o hasteamento diário da bandeira e o canto do hino nacional. Eles orientam sobre postura, comportamento e vestimenta, e sempre estão com um membro da equipe gestora e profissionais da escola. 

Entre as novidades na unidade, os alunos revezam a função de líder de sala, responsável por apresentar a turma ao professor durante a troca de aulas, mantendo os colegas de pé até serem dispensados. A organização e a vestimenta também mudaram, de acordo com o diretor, com a exigência de uma boa apresentação do uniforme. Um kit composto por duas bermudas, duas calças, duas camisetas e uma blusa de frio deve ser entregue até o fim deste semestre. Até lá, a orientação é usar calça jeans e camiseta branca.

Desafios e adesão
 
A unidade não tinha grandes problemas de indisciplina, segundo Sampaio, mas vivia uma realidade desafiadora, como a falta de atenção aos professores nas salas de aula, o que vem mudando neste início de ano: “Os professores estão lisonjeados com o que estão vendo nesses quatro dias de aula. Já dá para notar uma diferença no comportamento”, disse. 

A adesão ao programa começou com consultas internas entre funcionários, professores e o conselho escolar, com a maioria aprovando a participação. “Depois disso, nossa escola foi aprovada para a seleção e trouxemos a comunidade para a escola para explicar como seria, demos voz para a comunidade. Claro que tivemos pais favoráveis e pais contra, mas a quantidade de favoráveis venceu e por isso passou”, destacou o diretor. 

Sobre críticas ao modelo, Sampaio acredita que fazem parte da democracia, e a visão da escola está sendo positiva. "No ano passado, quando teve o anuncio da mudança, foi aberto um período para os alunos que queriam mudar de escola, sem burocracia, tivemos alunos que saíram, mas teve mais alunos que procuraram", contou. 

Programa 

No Alto Tietê, a consulta pública no ano passado foi realizada em 15 escolas estaduais, distribuídas entre Biritiba-Mirim, Ferraz, Itaquá, Mogi e Poá. Segundo Sampaio, a Seduc-SP considerou, para aprovação, notas do Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb) e indicadores socioeconômicos, priorizando regiões vulneráveis.

Segundo a Secretaria, os monitores participam de capacitação mínima de 40 horas em temas como regimento interno, psicologia escolar, cultura de paz e segurança, e são submetidos a avaliações semestrais para medir adaptação e permanência no programa. O Estado destaca que o modelo visa reforçar valores cívicos e disciplina sem interferir na autonomia pedagógica dos professores.
 
 A pasta estadual informou ainda foi elaborado um regimento interno específico para as 100 unidades do modelo. De acordo com o guia, as orientações dos monitores devem ser encaradas como um instrumento a serviço da formação integral do aluno, sem rigor excessivo ou leniência na aplicação. 

Galeria

Foto 1 -  Policiais militares da reserva atuão como monitores na segurança, disciplina e acolhimento - Divulgação/Governo de SP

Foto 2 -  E.E. Frei Thimoteo passou a realizar o hasteamento de bandeiras diariamente - Divulgação