As doenças neurológicas piramidais são condições que acometem o sistema nervoso central, especificamente o trato piramidal, responsável pelo controle dos movimentos voluntários finos e precisos do corpo. Esse sistema envolve vias neurais que partem do córtex cerebral e seguem até a medula espinhal, permitindo a execução adequada da força, coordenação e controle motor. Quando há lesão nesse trajeto, surgem alterações motoras importantes que comprometem a funcionalidade do indivíduo.

Entre as principais causas das síndromes piramidais estão o acidente vascular cerebral (AVC), traumatismos cranioencefálicos, lesões medulares, tumores, doenças neurodegenerativas e processos inflamatórios ou infecciosos do sistema nervoso. Os sintomas mais comuns incluem fraqueza muscular, aumento do tônus (espasticidade), reflexos exacerbados, clônus, perda de destreza motora, dificuldade na marcha, alterações posturais e redução da independência funcional.

Nesse contexto, o fisioterapeuta desempenha papel fundamental na reabilitação funcional do paciente com comprometimento piramidal. A atuação fisioterapêutica baseia-se em avaliação criteriosa da força, tônus, amplitude de movimento, equilíbrio, coordenação e capacidade funcional. A partir disso, são elaboradas condutas individualizadas que incluem exercícios terapêuticos, técnicas de facilitação neuromuscular, alongamentos para controle da espasticidade, treino de marcha, equilíbrio, reeducação postural e estímulos sensório-motores.

Além da recuperação motora, a fisioterapia visa prevenir complicações secundárias, como contraturas, deformidades, dores musculoesqueléticas e perda funcional progressiva. O trabalho contínuo favorece a neuroplasticidade, permitindo que o sistema nervoso reorganize suas funções e promova ganhos motores significativos.

O prognóstico das doenças piramidais varia conforme a causa, extensão da lesão, idade do paciente, tempo de início da reabilitação e adesão ao tratamento. Intervenções precoces e bem direcionadas melhoram significativamente a funcionalidade, a autonomia e a qualidade de vida, reforçando a importância do fisioterapeuta como profissional essencial no processo de reabilitação neurológica.


Dr. Luiz Felipe Da Guarda é fisioterapeuta e Conselheiro Estadual de Assuntos da Pessoa com Deficiência