Volto a este espaço para escrever - e convidar à reflexão - sobre a calamidade pública que se abateu sobre o Ceará, quando bandidos fardados, rostos devidamente cobertos para que a identificação se tornasse impossível, em movimento criminoso, fizeram a população refém, e, traindo o juramento prestado expuseram-na a todo o tipo de violência.
Resultado da tresloucada atitude, a Imprensa informa que 386 homicídios aconteceram no Estado irmão, o que, pese a violência que ali impera, ultrapassou todos os recordes possíveis.
Pois bem, depois de relutar - afinal a unidade da federação é daquelas em que não foi minimamente votado - o presidente da República resolveu deslocar para o local militares, bem como componentes da Força Nacional - conglomerado de policiais militares que andam daqui para ali o tempo todo, sem mostrar até hoje porque existe.
E não é que o comandante do grupo, quem sabe atendendo a ordens superiores, se mancomunou com os insensatos rebeldes, qualificando-os de "gigantes" e "corajosos", em suma, verdadeiros "heróis nacionais".
Obviamente, seu discurso, desprezível, e feito em hora inapropriada, teve cunho eminentemente político. Afinal, recém-casado com a deputada Carla Zambelli, apoiadora inconteste de Bolsonaro, e cabo eleitoral - além de subordinado - de Theophilo Gaspar de Oliveira, secretário nacional de Segurança Pública, e derrotado nas eleições para o governo cearense, alicerçou-se no velho brocardo: "inimigo dos meus inimigos é meu amigo", nas alusões "elogiosas".
Atente-se, por fim, que discursou tendo ao lado líderes da odiosa revolta, o que ainda mais realçou o seu apoio ao abusivo "movimento".
Tão vis seus atos e palavras, que militares das Forças Armadas, ouvidos, deploraram que elas tenham advindo de oficial de alta patente de milícia estadual, clamando por apuração, eis que, segundo um deles: "não se pode exigir disciplina onde nunca teve!"
Lamentável o episódio, há que se convir que sua missão parece ter consistido, apenas, "em jogar queijo aos ratos"!