O historiador americano Timothy Snyder analisa em seu livro, Na Contramão da Liberdade, que Vladimir Putin, presidente da Rússia, tem usado da desinformação para vencer a batalha contra a verdade e os fatos; é o que aconteceu antes da invasão da Ucrânia, em março de 2014, quando ele envenenou as redes sociais que descreviam, através de robôs criados pela inteligência russa, falsas atrocidades cometidas pelos ucranianos na Crimeia, território que estava em disputa pelos dois países.
Diz o autor que isso funcionou extremamente bem devido confundir a opinião pública ucraniana e internacional, e sugere que esse pode ser o meio pelo qual guerras sejam travadas no futuro. É barato, fácil de fazer e difícil de rastrear. Tecnicamente, desinformação é de graça, mas fatos requerem trabalho, e esse exige custo, tempo e dinheiro. Snyder crê que essa estratégia da desinformação que lá ocorreu deu "o ponta pé inicial" para o uso abusivo do fake news a fim de interferir na política, na economia e no meio social.
Putin se tornou um presidente tão poderoso e popular devido a Rússia ser, basicamente, uma sociedade televisiva. O presidente tomou 5 ou 6 canais privados de televisão e os fez trabalhar coordenados pelo governo para enviar sempre a mesma mensagem. "Uma mentira repetida mil vezes torna-se verdade", essa frase é de Joseph Goebbels, que foi ministro da Propaganda de Adolf Hitler na Alemanha Nazista. A verdade sintética, pragmática, formada de mentiras e verdades importa muito pouco, a realidade deixa de existir, há apenas uma representação da realidade difundida na sociedade pós-moderna que se baseia no "nada" de Sartre.
Uma sociedade que não tem compromisso ético e moral permite que cada um crie a sua própria verdade, que é um simulacro da verdade, mas não é a verdade revelada que vem do alto, de Deus, e, sim, apenas dos homens. Pilatos perguntou a Jesus: "O que é a verdade?"; muitos, também, estão diante da verdade e não sabem que Jesus é a verdade, e não uma das verdades.