O sociólogo italiano Domenico de Masi, em sua tese do ócio criativo, nos diz que o problema do mundo não é o PIB, mas a "taxa de diplomados", na Itália apenas 23%. O diploma não serve só para trabalhar, serve para entender o telejornal, a política, como educar os filhos, entender a vida do cidadão.
Para um país que alcance 70% a Itália é considerada como um país subdesenvolvido. A causa da globalização é sobretudo a causa do progresso tecnológico. Na Itália, em 1891, 30 milhões trabalhavam 70 milhões de horas. Em 2018, 61 milhões trabalharam 40 milhões de horas e produziram 20 vezes mais; em economia isso se chama "jobless growth" - crescimento sem trabalho.
Aumenta o tempo de ócio e ele se torna produção. Por qual razão? Por exemplo, haverá um aumento de tempo de audiência na mídia e cresce a publicidade. Na época de Marx, Manchester, uma grande cidade da Inglaterra, foi uma potência têxtil em que 94% dos trabalhadores eram operários braçais. Hoje, são 33%.
Houve redução na quantidade do trabalho braçal, porém, aumento do intelectual que se caracteriza em trabalhar, aprender e se divertir. Esse é o ócio criativo. Na Itália a jornada de trabalho anual de um empregado é de 1.800 horas. Na Alemanha 1.400 horas, e se produz 20% a mais que na Itália e, portanto, paga-se salários 20% maiores. A redução das horas trabalhadas incentiva a produtividade que se incentiva a si mesma.
Se reduzisse 400 horas na carga horária, a Itália não teria nenhum desempregado. Desde o começo desse ano os metalúrgicos da Alemanha trabalham 28 horas semanais com aumento salarial de 4,2 %. Esse país entendeu que quanto menos se trabalha mais se produz. Os trabalhadores físicos que trabalham na linha de montagem têm de estar nas fábricas, mas os intelectuais que recebem informação pela internet podem trabalhar em casa.
A única solução para o desemprego é a redução do horário de trabalho, sem reduzir o salário. A luta pela distribuição de trabalho resultará, também, na distribuição da riqueza.