A tentativa de manter as operações de cartão e leasing do Banco Itaú em Poá, o que garante uma receita de aproximadamente
R$ 157 milhões - cerca de 40% do orçamento por meio do Imposto Sobre Serviços (ISS) - ganhou novos contornos. Desta vez, o prefeito de Poá, Gian Lopes (PL), na companhia do prefeito de Suzano e presidente do Consórcio de Desenvolvimento dos Municípios do Alto Tietê (Condemat), Rodrigo Ashiuchi (PL), se dirigiu até o Paládio dos Bandeirantes, sede do governo paulista, para pedir auxílio ao Estado, visando a manutenção do banco em Poá. Os políticos foram recebidos pelo secretário de Estado de Desenvolvimento Regional, Marco Vinholi.
No encontro, foram apresentados dados de quanto Poá perderia com a saída do Itaú. Isso também afetaria as cidades do entorno, uma vez que sem parte dos serviços, os poaenses buscariam ajuda em Suzano, Itaquaquecetuba, Ferraz de Vasconcelos e Mogi das Cruzes. O argumento é válido, mas o pedido de socorro deveria ter sido feito há muito tempo, e não faltando menos de dez dias para o Itaú encerrar as atividades em Poá.
A informação sobre a possível saída do banco já havia sido confirmada, inclusive por este jornal que tanto se dedicou ao tema, pois entende a importância que tem a perda de 40% do orçamento de uma cidade como Poá. Mas parece que os interessados não acreditavam na saída da instituição e quando viram que o banco já estava de malas prontas para a capital decidiram participar de uma manifestação. O efeito político do protesto pode até ser interessante, mas na prática parece que não surtiu o efeito desejado: sensibilizar o banco.
Poá poderia ter assumido a postura que São Bernardo do Campo assumiu quando soube que a Ford fecharia a fábrica de veículos, em fevereiro, e moveu governos estadual e federal para buscar alternativas de manter as atividades. Existem diferenças entre a natureza da operação e os próprios municípios, mas ambos perdem com a saída de empresas desse porte. No caso de São Bernardo, mais de três mil empregos seriam fechados. Já para Poá, um buraco enorme no orçamento anual.