Muito difícil de se pronunciar neste momento quanto aos supostos vazamentos de informações trocadas entre Moro, Dellagnol e, eventualmente, outras autoridades.
Vai demorar a apuração para se chegar a uma conclusão específica sobre o caso, mas, quanto a alguns fatos não há dúvidas: de um lado, que o tal Greenwald é uma pessoa intimamente ligada à esquerda, não faz jornalismo, mas militância político-partidária; que a operação lançou mão de métodos ilegais para a obtenção de eventuais informações ("hackeamento"); que o que foi divulgado até agora é muito confuso, entrecortado e frágil; que ainda não houve perícia para confirmar ou não a veracidade das informações divulgadas e, de outro lado, que as autoridades envolvidas, ou que se tenta envolver neste episódio, são as principais responsáveis pelo maior combate à corrupção havido no Brasil, envolvendo o indiciamento de inúmeros políticos, funcionários públicos e empresários, em especial; que os resultados da operação Lava Jato até aqui têm números impressionantes, frutos de um árduo trabalho, quais sejam, mais de uma centena de condenações e prisões, envolvendo gente de todo o espectro, partidos políticos, organizações públicas e privadas, bilhões de reais recuperados para os cofres do Estado.
É inquestionável a coragem demonstrada até aqui por essas autoridades, sobretudo porque têm lutado desde o princípio contra o monstro do aparelhamento e do estamento burocrático brasileiro, pesado, forte e quase invencível. O discurso contrário não cessará na tentativa de desqualificar, especialmente, as pessoas que têm exercido essa autoridade. Essas, por sua vez, têm negado qualquer ato ilegal na elaboração e execução do estratagema para instruir os processos e provar a culpa dos ora condenados.
De qualquer modo, querer colocar uma questão discutível eticamente no mesmo patamar do banditismo que tem assaltado o Brasil por décadas é tentar coar o mosquito. Não há outro lugar seguro para a sociedade senão ao lado da justiça.