A Justiça Eleitoral cancelou 24,5 mil títulos no Alto Tietê nesta semana. Isso significa que, enquanto essas pessoas não regularizarem a situação, elas não poderão exercer o direito de escolher os representantes; sem contar outras situações que podem acarretar em alguma dificuldades, como a participação de concursos públicos e viagens internacionais.
O que mais chama a atenção, no entanto, é que a quantidade de pessoas que tiveram o título cancelado é maior do que em 2017, quando o último levantamento foi realizado pela Justiça Eleitoral. Nesses casos é importante lembrar que tiveram o direito de votar suspensos os eleitores que não participaram ou não justificaram a ausência nas três últimas eleições.
Segundo o Tribunal Regional Eleitoral (TRE), 17,7 mil eleitores não justificaram essas faltas em 2017 e tiveram os títulos cancelados e, para este ano, os números de votantes com esse direito suspenso é 38,7% maior.
Isso pode significar muita coisa, como a própria falta de tempo das pessoas em regularizar a situação, ou, o que pode ser pior: o desprezo pelo voto. Sendo essa segunda causa a principal motivação para essa elevação na perda de títulos, caso o número continue crescendo, será possível afirmar que cada vez mais o brasileiro está perdendo o gosto por votar.
Isso poderia trazer duas consequências para a democracia e para e escolha de chefes do Executivos e membros dos Legislativos. A primeira delas é que o voto deixaria de ser obrigatório, indo somente à cabine de votação aqueles que se interessam por política. O segundo resultado, consequência do primeiro, é que candidatos mais preparados seriam eleitos, uma vez que seriam escolhidos por eleitores que gostem de política. É uma ideia um tanto quanto socrática, mas evitaria a ascensão indesejada de alguns nomes escolhidos recentemente ao poder.
Pode ser um processo de depuração necessário para que a nossa democracia amadureça cada vez mais. Como dizia o ex-primeiro ministro inglês, Winston Churchill (1874-1965): "A democracia é o pior regime que existe, tirando todos os outros".