Os municípios do Alto Tietê começam a mapear a partir de maio o lixo produzido pela população, empresas e comércios. Tal medida irá ajudar a região a destinar melhor os resíduos sem necessitar de um aterro sanitário. Isso é, em termos de meio ambiente, um enorme passo para resolver o problema do lixo. Não há melhor definição para um aterro sanitário do que dizer que ele é coisa do passado. Guardadas as proporções, seu uso se assemelha ao da Europa medieval, quando os moradores do Velho Mundo se livravam dos dejetos simplesmente os jogando pela janela.
É claro que hoje os dejetos tem destino diferente do resto do lixo, mas o que sobra é basicamente "jogado pela janela", uma vez que não existe um destino adequado para esses resíduos, que acabam parando em um aterro sanitário.
Se esse mapeamento der certo e a região, com a ajuda do governo do Estado, conseguir destinar melhor esse montante, será um feito sem precedentes em termos nacionais. Vamos aguardar para saber o que vem por aí. Quando deixamos as fronteiras de lado, porém, percebemos que mal saímos da caverna em relação à evolução de outros países.
Na Noruega, país que sempre ocupa o topo das tabelas quando o assunto é qualidade de vida, ações dos políticos e liberdade de Imprensa, 97% do plástico é reaproveitado, segundo uma reportagem veiculada pelo jornal britânico The Guardian. O que resta acaba sendo degradado pelo próprio meio ambiente. Esse processo atingiu tal nível de excelência que uma mesma garrafa de plástico, por exemplo, já pode ter sido reciclada mais de 50 vezes, sem perder a qualidade do plástico. Nos Estados Unidos e Grã-Bretanha esse número varia entre 20% e 45%.
No Brasil, quarto maior produtor de lixo plástico, de acordo com o Fundo Mundial para a Natureza, com 11,3 milhões de toneladas, vergonhosas 145 toneladas são recicladas, ou seja, apenas 1,2%, segundo o próprio instituto.
Ainda estamos longe de alcançar patamares altos, mas quem sabe esse novo mapeamento trará um novo caminho para solucionar o destino do lixo.