Ainda com plano de salvamento sendo "qualificado", conforme afirma a Defesa Civil de Minas Gerais, um total de aproximadamente 9 mil pessoas de 3 mil residências, moradoras da cidade de Barão de Cocais, terão uma hora e doze minutos para serem retiradas caso a barragem Sul Superior da Minas Gongo Soco, da Vale, se rompa. Ontem, o nível de segurança foi elevado para 3, o mais alto, que indica risco iminente de ruptura ou ruptura em andamento. Os cálculos sobre a população a ser retirada e o tempo para a saída foram citados pelo tenente-coronel Flávio Godinho, coordenador-adjunto da Defesa Civil de Minas Gerais.
Segundo ele, o trabalho de qualificação deverá ser concluído até o final de hoje. Um treinamento com simulação de rompimento só deverá ocorrer amanhã. Godinho, no entanto, afirmou que, caso a barragem se rompa antes, mesmo com o plano ainda sendo trabalhado, as forças de segurança têm condições de retirar as cerca de 9 mil pessoas de suas casas antes que a lama chegue.
"O plano está sendo qualificado para ter precisão melhor. Estamos falando de 3 mil residências, ou seja, população grande. Se acontecer nesse exato momento, a polícia militar tem toda a condição de retirar essas pessoas. Só que o plano vai facilitar a coordenação para que isso aconteça. Mas se acontecer rompimento neste momento, os protocolos de segurança estão bem estabelecidos, com tropa da polícia militar, da defesa civil e dos bombeiros para fazer essa evacuação emergencial em uma hora e doze minutos", explicou.
A sirene do sistema de segurança da barragem foi acionado na sexta-feira, por volta das 21h30, depois de reunião entre autoridades e a Vale. No encontro, foi informado pela mineradora que a empresa de consultoria contratada para analisar a estrutura ter informado "condição crítica de estabilidade da barragem". Com isso, o nível de alerta da estrutura foi elevado para 3. Em 8 de fevereiro, cerca de 500 pessoas haviam sido retiradas da chamada Zona de Auto Salvamento (ZAS) da barragem, depois do acionamento de sirene. Moradores das ZAS, pela proximidade com as represas de rejeito, não têm tempo de serem retiradas de casa com intervenção das autoridades. (E.C.)