É imperioso parabenizar as mulheres no 8 de março, Dia Internacional da Mulher, pelo histórico de lutas que a data representa. Não me venham com contestações rasteiras no nível de "se não existe dia do homem, por que precisa haver um dia da mulher?", que isso só revela a obtusidade de pessoas com quem é inútil debater. Surgida na luta sindical e nos movimentos de emancipação feminina, a comemoração expressa uma busca pela dignidade a que todo humano tem direito pelo simples fato de existir.
É uma luta marcada com sangue. Thaís Andrade, Elis Cristina, Isabela Miranda, Rosângela da Silva e Rosane Apolinário, estão entre as mais de 200 mulheres brutalmente assassinadas por seus parceiros em 2019. Por trás dos nomes encontrados aleatoriamente no noticiário há histórias de vida e sonhos duramente interrompidos. Elas pagaram com a vida pelo fato de viverem numa sociedade em que ainda predomina a visão da mulher como corpo disponível para dominação masculina. Em 2018 ocorreram 1135 feminicídios no país, revela o "Monitor da Violência" - projeto do Núcleo de Estudos da Violência (USP) em parceria com o Fórum Brasileiro de Segurança Pública.
A negação de direitos ocorre em muitas frentes. No mercado de trabalho, elas ganham 43,5% menos que os homens ao desempenharem funções iguais em cargos de nível superior, revela pesquisa da consultoria em RH Catho. Paradoxalmente, elas ocupam 57,2% das vagas nos cursos universitários.
No Congresso Nacional, avançam projetos de lei que proíbem o aborto em qualquer circunstância, que dificultam o acesso das mulheres à aposentadoria, que as vinculam financeiramente ao agressor quando engravidam em razão de estupro. Em live numa rede social, o presidente da República mostrou desprezo pela existência de cursos contra assédio sexual. Aliás, o que esperar de quem afirmou "Não te estupro porque você não merece", em ofensa dirigida a uma parlamentar?
Por sua luta, Feliz Dia da Mulher, leitora, e que as injustiças sejam reparadas.