Mantendo uma reconhecida influência sobre as cabeças pensantes da política brasileira, o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB), que comandou o país entre 1995 e 2002, mandou um recado direto ao atual mandatário, Jair Bolsonaro (PSL): "Os partidos são fracos, o Congresso é forte. Presidente que não entende isso, não governa e pode cair; maltratar quem preside a câmara é caminho para o desastre", escreveu FHC em seu perfil no Twitter. O conselho veio após a troca de insinuações entre Bolsonaro e o chefe do Legislativo, Rodrigo Maia (DEM), a respeito do andamento da reforma da Previdência no Congresso.
A verdade é que nos últimos dias, Bolsonaro manteve a sua característica de falar muito e pensar pouco, mas encontrou um adversário que não se omitiu em responder. Resultado: o clima entre os poderes ficou tenso no final de semana. Prova disso é que uma reunião foi marcada para ontem pela manhã com a presença de algumas peças-chave do governo. Bolsonaro recebeu os ministros da Casa Civil, Onyx Lorenzoni; da Economia, Paulo Guedes; o chefe do Gabinete de Segurança Institucional, general Augusto Heleno; e o comandante da Secretaria de Governo, general Santos Cruz, para avaliar os últimos episódios e buscar uma estratégia para a aprovação da reforma da Previdência.
O grupo tratou de aconselhar Bolsonaro para não correr o risco de inviabilizar o mandato pelas ações e falas polêmicas. Não é o momento de confrontar, concordaram. Guedes, pela ótica da economia, colocou a aprovação da reforma como garantia para o futuro do governo e isso passa pela câmara e por um bom relacionamento com Maia. Ao final do encontro, o presidente tratou de mostrar tranquilidade e defendeu uma relação cordial com o Legislativo. Os dois deverão se encontrar nesta semana para selar um "acordo de paz", que chegaria à mídia como a superação de um momento de crise.
Prestes a completar os primeiros 100 dias de mandato, Bolsonaro está aprendendo, às duras penas, que os conselhos dos mais experientes e de sua equipe imediata não devem ser desprezados.