Na obra "O futuro da democracia", mais precisamente no capítulo "a democracia e o poder invisível", Noberto Bobbio (1909 - 2004) - filósofo, escritor e senador italiano - identifica a democracia como o governo do poder visível e enfatiza que nela nada pode permanecer confinado no espaço do mistério. Portanto, quando existe a prevalência de interesses privados no âmbito do poder público não há espaço para a democracia.
Ainda de acordo com este importante filósofo político, governos verdadeiramente democráticos não omitem informações e nem tomam decisões encobertas pelo manto escuro de segredos.
É da essência do poder democrático seu exercício de forma transparente e com a participação consciente dos cidadãos em suas diferentes instâncias de decisão. Não se pode identificar como democráticas as dinâmicas de poder que não observam tais princípios.
No caso do Brasil, a carência de tais princípios é generalizada. Atinge, com pequenas variações de intensidade, aos diferentes níveis dos diferentes poderes. Por décadas temos tomado conhecimento de casos de corrupção envolvendo representantes de grupos privados e agentes públicos. Em alguns poucos casos tivemos punição, mas na maioria deles seus praticantes nada pagaram. Mas existe algo que se repete em todos eles de forma inexorável: a ausência de transparência no trato da coisa pública.
Infelizmente, mesmo sendo fácil identificar aquilo que é padrão em todos os casos de corrupção, não temos sido eficientes em seu combate. Tanto é que os escândalos envolvendo agentes públicos dos três poderes brotam em toda parte.
A apuração desses casos para identificar os responsáveis, além da abertura de processo para julgamento e condenação dos culpados, são ações absolutamente necessárias. Só que elas servem como resposta para atos já cometidos.
O que Brasil mais precisa é desenvolver mecanismos que coíbam tais práticas. Precisamos agir para prevenir e, nesse caso, a transparência é o melhor caminho.