Não é sensato ignorar o que outras pessoas pensam sobre nossos atos, pois pode acontecer de terem visão mais clara sobre seus efeitos do que nós mesmos.
No momento em que o conselho editorial do jornal The New York Times, o mais influente do mundo, declara em editorial que a posse de Jair Bolsonaro na presidência da República dá início a "Um ano fatídico para o Brasil", é recomendável que o governo e seus apoiadores ponham de lado a manjada acusação de conspiração comunista e reflitam sobre o caminho que escolheram para o país.
Diferentemente de setores da Imprensa nacional que, de olho nos repasses publicitários do governo e das empresas públicas, gasta tempo e papel com questões periféricas como os passos e contrapassos de Bolsonaro e seus auxiliares, o jornal norte-americano vai direto ao ponto ao denunciar evidências de que este é um governo retrógrado.
São muitas evidências, como o esvaziamento do Ministério do Meio Ambiente e a falta de compromisso com a preservação das florestas; o recuo na demarcação de terras indígenas e quilombolas; a retirada das pessoas LGBTs das diretrizes do novo Ministério da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos; a disposição para monitorar ONGs e movimento sociais; a pauta pró-armamentista; a valorização de militares linha-dura na hierarquia estatal; a valorização do pensamento religioso de matriz evangélica em detrimento do conhecimento científico; a retirada do país do Pacto Global de Migração da Organização das Nações Unidas (ONU); a intenção de abandonar o Acordo de Paris sobre alterações climáticas, entre outros tantos pontos.
Afinado com a opinião pública internacional que vai se formando em relação ao Brasil de Jair Bolsonaro, o conselho editorial de outro grande jornal norte-americano, o The Washington Post, propõe, em editorial, boicote aos produtos brasileiros no exterior.
Pode-se não gostar da opinião internacional. Mas, no cenário atual, ignorá-la levará o Brasil ao isolamento.