Definitivamente a educação, em que pese a sua importância, não tem recebido a atenção necessária. Não paramos de colher notícias ruins relacionadas ao tema. Dados de uma pesquisa feita com mais de cem mil professores e diretores de escolas do segundo ciclo do Ensino Fundamental e do Ensino Médio de 34 países apontam o Brasil como líder no ranking de violência em escolas.
Em São Paulo, foi feita uma pesquisa pelo Instituto Data Popular, encomendada pelo Sindicato dos Professores do Ensino Oficial do Estado de São Paulo (Apeoesp), que indica uma situação mais preocupante. Quatro em cada dez professores da rede estadual dizem já ter sofrido algum tipo violência na escola. Entre os alunos, 28% afirmam o mesmo.
O quadro é grave. O aumento constante da violência, seja ela contra professores ou entre os alunos, não tem recebido das autoridades e da sociedade em geral, a merecida atenção. Outro estudo internacional sobre professores, ensino e aprendizagem indica que somente 12,6% dos professores brasileiros acreditam que a profissão é valorizada pela sociedade, enquanto a média global é de 31%. Tal percentual coloca o Brasil entre os dez últimos da lista nesse quesito.
Os reflexos disso são sentidos no cotidiano. O número de professores que se afastam do trabalho por motivos de saúde cresce de maneira muito intensa. O Atlas Municipal de Gestão de Pessoas, publicado pela Prefeitura de São Paulo mostra que os professores estão entre os grupos profissionais com maiores índices de licença médica.
Pesquisa desenvolvida na Faculdade de Saúde Pública (FSP) da USP com professores que pediram afastamento do trabalho por motivo de saúde indica o trabalho como motivador da doença na quase totalidade dos casos. Entre os fatores apontados, a violência é o mais recorrente.
Com isso, vamos acumulando uma vasta gama de problemas no espaço institucional destinado ao processo de ensino e aprendizagem. No discurso de todos os setores da sociedade, a educação sempre aparece como prioridade. Mas na prática...