A presença de pessoas idosas em blocos de rua, bailes e eventos de Carnaval é uma realidade no Brasil, acompanha o envelhecimento da população e o aumento da longevidade com autonomia e participação social. Segundo o Censo Demográfico 2022 e estimativas recentes do IBGE, cerca de 15,6% da população brasileira tem mais de 60 anos, o que ajuda a explicar a ocupação cada vez mais visível desses espaços de lazer por esse público.

“A participação no Carnaval reflete a transformação no perfil da população e pode trazer impactos positivos importantes, como estímulo ao convívio social, melhora do humor e redução do isolamento. Ao mesmo tempo, ambientes com calor intenso, multidões e esforço físico fora da rotina exigem atenção a cuidados específicos de saúde”, afirma Eduardo Canteiro Cruz, geriatra e diretor administrativo da Sociedade Brasileira de Geriatria e Gerontologia (SBGG).

Durante o Carnaval, altas temperaturas, longos períodos em pé, exposição ao sol e o uso contínuo de medicamentos exigem maior percepção dos limites do corpo, especialmente quando existem doenças crônicas associadas. Hidratação adequada, pausas para descanso e escolhas compatíveis com o próprio ritmo são cuidados recomendados.

Mais do que tratar essa participação como exceção, o debate proposto é sobre como garantir que pessoas idosas continuem ocupando os espaços públicos com autonomia, prazer e segurança. O Carnaval, nesse sentido, evidencia transformações sociais importantes e reforça a necessidade de integrar saúde, lazer e convivência na agenda do envelhecimento.

Álcool, outras substâncias e envelhecimento

O consumo de bebidas alcoólicas e o uso de outras substâncias fazem parte do contexto do Carnaval e merecem atenção especial nessa faixa etária. O álcool pode potencializar efeitos colaterais de medicamentos de uso contínuo e aumentar o risco de quedas, desidratação, alterações de pressão arterial e confusão mental.

Além disso, a menor tolerância do organismo, associada ao calor intenso e a longos períodos sem alimentação adequada, podem levar a quadros de mal-estar que exigem atendimento médico. A orientação não é a proibição, mas a consciência sobre limites, interações medicamentosas e sinais de alerta, reforçando escolhas mais seguras durante os dias de festa.