E se foi mais um Natal! Nesses sessenta e sete anos que vivo a doce rotina da festa maior da cristandade, os coloridos foram se modificando, conforme me mostram as lembranças.
Cinco anos de idade! Na casa de minha avó paterna, na véspera, durante o dia, as mulheres se reuniam na pequena cozinha, onde, embalada pelo cheiro gostoso das carnes que eram cozidas no fogão à lenha, preparavam os demais ingredientes da ceia.Os homens, por seu turno, na saleta contigua, se degladiavam no jogo do truco.Uma sensação de segurança e aconchego, de mim tomava conta! Não precisava de mais nada para ser feliz!
Dez anos! A rotina da casa dos avós maternos, nessa época, era quebrada! Ao invés da tradicional carne de panela, arroz e feijão, vinha à mesa, à noite, o macarrão feito pela nona, tendo como acompanhamento bifes à milanesa - tão saborosos até hoje não encontrei.
Mas o melhor estava por chegar! A cada ano, uma das poucas vezes que era presenteado -, uma bola de futebol - capotão - era deixada ao amanhecer em minha cama! Ao vê-la, vinham à tona os sonhos das brincadeiras próximas, nos campinhos de terra.
Trinta e três anos! Primeiro filho. Seis meses de vida. Orgulhoso, menino que nada compreendia ao colo descia ao pátio do prédio em que morava para que assistisse a chegada de um fictício e engraçado Papai Noel, que distribuía os presentes que lhes foram confiados de antemão! Cumprida a tarefa, tornava ao apartamento, com um sorriso de felicidade, agora já não por mim, mas pelo garoto que nascia para a vida!
Cinquenta e três, e a cena se repete em relação ao Frederico, que, com cinco dias de vida, trouxe redobrada alegria ao meu lar!
Hoje, sonhos desfeitos; companhias queridas que se foram para outros planos; lembranças e saudades, recorrendo também a elas, parece que tudo se une: anseio pelo beijo dos filhos, pela união da família, troca de presentes, pela ceia, e, agradecido ao aniversariante por mais um ano. Sou feliz, até mais que antes!