A celebração ontem dos 30 anos da promulgação da Constituição, em Brasília, teve a presença do presidente eleito, Jair Bolsonaro (PSL). O evento ocorreu no Senado e teve discurso do atual presidente Michel Temer (MDB), destacando que "não há outro caminho que não seja pela Constituição". O social liberal ouviu as palavras do atual chefe do Executivo nacional e disse que irá respeitar o texto.
Mas o que chamou a atenção é que, embora tenha dito que irá respeitar a Constituição, a equipe de Bolsonaro havia vetado a entrada de jornalistas ao mesmo evento dias antes. O presidente do Senado, Eunício de Oliveira (MDB), até havia concordado com a ideia, mas de última hora liberou a entradas de jornalistas para registrar a celebração, como uma democracia deve fazer.
A equipe de Bolsonaro que quis vetar o acesso da Imprensa ao Senado havia comunicado ao chefe da Polícia Legislativa do Congresso, Pedro Araújo de Carvalho, que por sua vez afirmou que no dia da posse, em 1º de janeiro, o mesmo expediente deverá ser utilizado, ou seja, impedir a entrada de jornalistas na visita que o presidente, desta vez empossado, fará a um dos poderes da República.
É preocupante imaginar que um país onde vigora o estado democrático de direito, jornalistas podem não ter a entrada liberada envolvendo o líder máximo da democracia. Ainda não se sabe o que o social liberal pretende ao fazer esse tipo de restrição à Imprensa, que tem na raiz da função informar à população brasileira sobre o que acontece.
Bolsonaro, ou a equipe dele, precisa lembrar que a campanha presidencial acabou e que ele precisa agir como chefe de Estado eleito, com quase 58 milhões de votos. Não é a maioria do eleitorado apto a votar, mas é a maioria dos que votaram.
Seria inconsequente dizer que o futuro comandante do Brasil, ou capitão, como ele prefere ser chamado, pretende promover um governo distante dos olhos dos jornalistas, talvez não seja isso. Mas a equipe dele querer impedir a cobertura de eventos por parte da mídia, antes mesmo de subir a rampa do Palácio do Planalto, pode soar como um de alerta.