O assunto ainda vai dar muito pano para manga, mas o fato é que a saída dos médicos cubanos do programa "Mais Médicos", do governo Federal, pegou o país de calças curtas. De imediato, para suprir essa falta, será feita uma licitação para a contratação de profissionais. Para o vice-presidente eleito, Hamilton Mourão, é possível que metade dos cubanos queiram ficar no Brasil "por gostarem do nosso estilo de vida". O que o general diz, não dá para ser colocado no papel. A mesma situação pode ser observada pelo presidente eleito, Jair Bolsonaro (PSL), que avisou que todos os cubanos, se quiserem, podem pedir asilo político no Brasil.
A situação não é tão simples. Segundo o Itamaraty, o requerente, para solicitar a permanência aqui no Brasil, sob essas condições, precisa ser "perseguido por suas opiniões políticas, situação racial, ou convicções religiosas no seu país de origem". Não parece que os mais de 8,2 mil profissionais cubanos desejam utilizar desse expediente. Alguns até já começaram a retornar ao Caribe.
Mas, ainda assim, é possível fazer um exercício mental do que poderia ocorrer com os médicos cubanos. Caso pedissem asilo político ao Brasil, e o país concedesse, os familiares desses profissionais poderiam ser perseguidos pelo governo local e sofrer represálias. A vinda desses parentes para o Brasil seria praticamente impossível e o estrangeiro ficaria aqui sem saber o que ocorreria com a família. Não parece ser esse o caminho mais viável.
Os novos chefes do Executivo brasileiro parecem que ainda não se deram conta do que significa o termo "fazer política". Achar que tudo deve ser revolvido a ferro e fogo somente porque quer assim, numa questão ideológica, parece não dar certo. Em política, se negocia, faz concessões, pede concessões, tudo isso está envolvido. A maneira como o futuro governo parece enxergar a diplomacia é um pouco torta. Presidentes anteriores como Fernando Henrique Cardoso (PSDB), Luiz Inácio Lula da Silva e Dilma Rousseff, ambos do PT, também sofreram viés diplomático. Com Bolsonaro isso ocorre antes mesmo de ele assumir o governo.