Na terça-feira da semana que vem será comemorado o Dia da Consciência Negra, que marca a luta dos negros, principalmente pelo direito de igualdade. Para celebrar, muitos municípios do Brasil realizarão ações voltadas à conscientização, o que é importante, essencialmente para as crianças em formação. Mas, quando será que nosso país - assim como tantos outros -, conseguirá se descontaminar de vez da barbárie da escravidão?
Nos livraremos do racismo impregnado quando, de fato, tudo for deixado para trás e não precisarmos mais pensar em uma data de conscientização ou cotas em universidades - que são importantes quando tratadas de forma emergencial, e não permanente como acontece no Brasil. Sua finalidade é positiva, pois defende - mesmo que em um país "democrático" -, um nicho da sociedade que convive com uma série de prejuízos sociais.
Em um país com 51% de afrodescendentes, ou seja, mais de cem milhões de pessoas, ainda é muito difícil se encontrar negros na política. Uma nação com mais de 500 anos e que conviveu com a escravidão por 338 anos, vimos os operários terem seus direitos garantidos apenas em 1930, e as empregas domésticas, somente em 2015. São indícios claros de que o espírito da escravidão ainda vive dentro do brasileiro, como uma herança genética, impregnada, e difícil de ser desenraizada.
Esse é apenas um dos problemas. A contaminação que atinge nossa sociedade também nos faz diferenciar pessoas por sua "importância". Cada casta tem um peso. Uma chacina em um bairro pobre da região do Alto Tietê, certamente não merece o mesmo destaque do que uma chacina na Avenida Paulista. Culpa da mídia? Não somente. Trata-se de um dos mais graves defeitos éticos do Brasil e que precisa ser mudado em cada cidadão.
Já passou da hora de se colocar um ponto final no que ficou para trás. Foram mais de 300 anos de escravidão que não devem ser esquecidos, mas à mudança, é preciso olhar para frente. Nossa consciência social estará mais apurada, de fato, quando não houver mais a diferenciação entre o negro e o branco.