Assunto antigo, porém ainda muito presente em regiões específicas como no centro da capital paulista, a Cracolândia, longe de uma solução, em que pese os esforços das administrações municipais que se seguiram, acabou se incorporando ao cenário urbano. Recebeu esse apelido, tendo em vista a grande concentração de pessoas, das mais diversas origens, gêneros e idade, todos dependentes de drogas. Filmagens retratavam o que se via somente em filme como "The Walking Dead" ou no clip da música "Thriller", de Michel Jackson. Essas produções artísticas mostravam pessoas mortas caminhando sem orientação ou destino. Pessoas sem alma e sem vontade própria.
O que as cenas reais mostram são pessoas que se aglomeravam no meio das ruas, lutando, desesperadamente, por uma pedra de crack e, quando conseguiam, buscavam um canto próximo qualquer para consumi-lo, não se importando com as pessoas que passavam pelas ruas e nem mesmo com as rondas policiais. Sem contar a indignação da população e dos comerciantes locais, questões surgem a respeito do comportamento humano.
Pessoas, outrora recatadas, perderam o senso de pudor. Esse comportamento só tem uma explicação: a dependia das drogas. Não é meramente um vício, mas algo que, comprovadamente, tira da pessoa a sua dignidade, seu amor próprio, sua vontade e o controle de suas ações. Talvez por isso é que muitos se afastam de suas famílias, buscando tirar delas o peso de conviver com seus erros, ou até, buscando por fim aos sofrimentos, praticam suicídio.
O vício transforma as pessoas em verdadeiros zumbis. Focados nas drogas, sujeitam-se a ambientes insalubres e violência, às vezes física e às vezes moral, impostas pelos traficantes.
Questões sociais, estruturais, de saúde e segurança públicas se sobressaem e a busca de sua solução, outrora protagonizada pela administração municipal, auxiliada por órgãos do Estado, devem ter a efetiva participações de outros entes da federação, pois mais do que um assunto local, o problema é nacional.