Vivemos dias difíceis e, ao que tudo indica, eles ainda estarão em nossas vidas por algum tempo. São dias difíceis na economia, na política e nas relações sociais. Existe um clima de animosidade de grande intensidade e isso está repercutindo em ações de alto grau de insanidade e agressividade. E o mais grave é que parece que as pessoas não estão se dando conta disso.
A grave crise econômica que enfrentamos, e que veio acompanhada de uma profunda crise política, acirrou muito um processo que divide o país. Até mesmo teses de cunho absolutamente autoritárias adormecidas por décadas foram despertadas e ganharam uma desavergonhada visibilidade.
Estamos colhendo os amargos frutos de um processo que vem esgarçando o tecido social. A intolerância direcionada aos diferentes atingiu níveis indesejáveis. E o pior é que são ações exibidas com certo orgulho.
O país caminha para o segundo turno e, provavelmente, saíra das urnas com a mesma radicalização observada em toda a campanha. Caso isso se confirme, a tão esperada superação da crise econômica pode retardar ainda mais, o que deve aumentar a nossa cota de sacrifício.
Ganhe quem ganhar a eleição presidencial, não terá muito tempo para produzir resultados na área econômica que melhorem o humor de uma sociedade que anda no limite da paciência.
Nossa história democrática não é muito longa. Em várias oportunidades tivemos a interrupção da democracia por regimes autoritários. O preço que pagamos por isso é a convivência com instituições que exibem fragilidade e falta de credibilidade para a construção de um caminho de normalidade.
As pessoas precisam entender que a liberdade de expressão é um direito absolutamente legítimo e o mesmo vale para a realização de manifestações. Desde que a expressão de ideias e o ato de se manifestar os limites da civilidade.
É preciso observar isso se nós queremos sair desse processo melhores do que entramos.