Há tempo que denuncio o risco de fraude nas apurações das eleições brasileiras por um motivo específico: as urnas eletrônicas de primeira geração aqui usadas e de fabricação da venezuelana Smartmatic não são auditáveis, conforme restou comprovado em diversas análises e testes.
Ora, seria ridículo negar que é importante avançar, tecnologicamente, em qualquer processo, com vistas à sua otimização e creio que devemos reconhecer que quando o Brasil encontrar urnas eletrônicas não fraudáveis e auditáveis deve lançar mão delas, imediatamente, pois são inegáveis os benefícios que adviriam dessa tecnologia.
Ocorre que até agora, não conseguiu isto e, portanto, mesmo que não seja o ideal, mais moroso e, eventualmente, mais caro, o processo de apuração, num país com as nossas características culturais e comportamentais - observe que na Alemanha, por exemplo, o processo de votação nem tem tanto rigor, mas tem-se demonstrado consistente, neste caso, especialmente, em função da cultura do povo e do eleitor - torna-se mandatório, haver apurações muito transparentes e verificáveis, o que motivou a criação da lei do voto impresso, a qual, infelizmente, foi derrubada pelo STF, sem qualquer justificativa aceitável.
Vejam que, recentemente, houve em Las Vegas a maior conferência de hackers do planeta, na qual foram testadas várias urnas digitais de diversos modelos e fabricantes, incluindo uma da Smartmatic. Conclusão: todas foram "hackeadas" em menos de duas horas. Por outro lado, não há transparência por parte do TSE no que refere às características e especificações de nossas urnas. Computadores precisam ter seus hardwares e softwares testados à exaustão e, especialmente, quando servem a um propósito tão delicado como é a apuração das eleições.
Lamento que não se cumpra a lei do voto impresso e que continuemos com um processo de apuração obscuro e não auditável no Brasil, local em que é certo que muitos fraudariam para manter o poder.