Faltando pouco menos de duas semanas para o primeiro turno das eleições e partindo das tendências apresentadas pelas pesquisas mais recentes de intenção de voto, um questionamento chama a atenção: qual o grau de autonomia que o novo presidente da República terá no comando da nação? Considerando os três candidatos com maiores possibilidades, segundo os dados - Jair Bolsonaro (PSL), Fernando Haddad (PT) e Ciro Gomes (PDT) -, nenhum deles terá a tranquilidade de governar com o apoio da maioria dos senadores e deputados no Congresso Nacional.
Existe hoje uma fragmentação clara das assembleias em virtude da grande quantidade de partidos políticos e ideologias diferenciadas. Habilitadas para o pleito estão 35 agremiações, das quais 28 são representadas atualmente no Legislativo. Como o quadro deve alterar pouco, se forem levadas em consideração as mudanças nas últimas eleições, não haverá poder absoluto. A Câmara do Deputados tem hoje 512 membros e o Senado, 81. Na composição das casas, O PSL possui oito deputados e nenhum senador; o PT, 61 parlamentares e nove senadores; e o PDT, 19 deputados e três senadores. Esse contingente, mesmo que mantido, não garante maioria a ninguém.
Desta forma, não será surpresa a oferta de ministérios como barganha para viabilizar a largada com um pouco de fôlego. Ainda que alguns pretendentes garantam a redução do número de pastas, que hoje é de 23, além de quatro órgãos e mais duas secretarias com status de ministério, a estratégia certamente será usada. Partidos como o MDB e o PSDB, com reconhecida e histórica força política, terão de ser chamados para compor a base e dar suporte ao Executivo.
Em resumo, o próximo presidente vai precisar de muita habilidade para iniciar o mandato com o mínimo de representatividade. A alternativa mais viável é a composição a partir de acordos e, como prática ruim, a permuta de cargos por apoio. Parece difícil descartar uma coligação com outros partidos. Mas a possibilidade não deve prender o rabo de ninguém. Caso contrário, o presidente já começa a governar com ampla desvantagem.