A Arena Suzano sedia hoje, às 21h30, o terceiro duelo entre Taubaté e Sesi-SP válido pela final da Superliga Masculina de Vôlei. A série melhor de cinco está empatada em 1 a 1. Além da relevância para o cenário atual do vôlei, o confronto marca a volta, após 20 anos, de uma final do esporte a Suzano, que um dia já foi considerada a "capital do vôlei".
Boa parte da fama veio das conquistas alcançadas pelo Report Suzano nos anos 90, um time recheado de estrelas frequentemente convocadas para representar o Brasil em mundiais e Olimpíadas. Tal relevância é apontada pelos títulos conquistados pelos comandados de Ricardo Navajas: três campeonatos nacionais e oito estaduais.
Uma das atrações à parte era justamente o "professor Navajas". Temperamental, falante e vitorioso, o técnico foi ex-jogador profissional e disse que começou na carreira por falta de treinadores disponíveis no mercado. "O time era um exemplo na cidade, um segmento bem construído. Ganhando ou perdendo, o clube era visto como um patrimônio da cidade", disse. O ex-técnico, que hoje é supervisor do Taubaté, disse que todo time, de qualquer esporte, com exceção do futebol, precisa do envolvimento direto do poder público, o que na década de 90 existia em Suzano. "É assim em 100% das cidades, com relação principalmente ao vôlei e ao basquete. Se o poder público estiver disposto a incentivar o esporte, ele consegue. Sem a administração municipal, nos casos os próprios prefeitos, não tem time em nenhuma modalidade", lamentou.
Um dos comandados de Navajas à época foi o levantador Marcelo Elgarten, o Marcelinho. O atleta se recorda com carinho da passagem pelo Report Suzano, clube que defendeu no início da carreira. Ele foi campeão nacional com o time na temporada 1996/97 e considerado o melhor levantador do ano.
Suzano era de fato relevante para o cenário do vôlei nacional. O prefeito nos tempos áureos, o atual deputado estadual Estevam Galvão (DEM), disse que a projeção que o Report teve se deu pela junção de esforços de várias áreas. Galvão relembra com saudosismo da "época de ouro" e da forte identificação do clube com a cidade. "Lembro até hoje a escalação de cabeça", comentou.
* Texto supervisionado pelo editor.