Em um duro comunicado ao governo brasileiro, relatores da Organização das Nações Unidas (ONU) pedem uma "investigação imediata, completa e imparcial" em relação ao colapso da barragem de rejeitos em Brumadinho, Minas Gerais. Os especialistas ainda alertam para os riscos da flexibilização proposta em leis ambientais e pedem que nenhuma nova barragem seja construída ou autorizada até que a segurança esteja garantida.
"Dezenas de pessoas foram mortas e centenas ainda estão desaparecidas devido ao desastre envolvendo a mina de Córrego do Feijão de propriedade da mineradora Vale", indicaram.
A declaração é assinada por Baskut Tuncak, relator da ONU sobre as implicações para os direitos humanos do gerenciamento e disposição de substâncias tóxicas e rejeitos, por Léo Heller, relator para os direitos humanos à água potável segura e ao esgotamento sanitário, pelo grupo de trabalho sobre direitos humanos e corporações transnacionais e por David Boyd, relator da ONU para os direitos humanos e o meio ambiente.
"A tragédia exige responsabilização e põe em questão medidas preventivas adotadas após o desastre da Samarco em Minas Gerais há apenas três anos, quando uma inundação catastrófica de resíduos de mineração próximo a Mariana matou 19 pessoas e afetou a vida de milhões", disseram os especialistas.
"Incitamos o governo a agir decisivamente em seu compromisso de fazer tudo o que estiver ao seu alcance para evitar mais tragédias desse tipo e levar à justiça os responsáveis pelo desastre", pediram os relatores.
Mortes
As equipes de resgate confirmaram ontem, a morte de 99 pessoas pelo rompimento da barragem - 57 identificadas. Ainda há 259 desaparecidos e outras 176 pessoas fora de suas casas. Também ontem o Palácio do Planalto foi informado que os militares das Forças de Defesa de Israel (FDI) - que chegaram ao Brasil no domingo para ajudar nos trabalhos - devem retornar hoje a seu país, às 15 horas.