A Corregedoria da Polícia Militar de São Paulo concluiu ontem o inquérito referente à conduta dos policiais envolvidos na ação realizada no bairro de Paraisópolis, zona sul de São Paulo, em dezembro passado, e decidiu pelo arquivamento da investigação, alegando que os policiais agiram de forma lícita, e em legítima defesa. O inquérito analisava a ação de 31 PMs que estiveram na ação que resultou em nove mortes, incluindo a de dois mogianos, durante o baile funk realizado no bairro paulistano.
Ainda de acordo com o inquérito, assinado pelo encarregado capitão Rafael Oliveira Cazella, os policiais envolvidos na ação sequer praticaram alguma infração militar. A Polícia Civil ainda investiga a ação.
Dois dos nove mortos no tumulto durante a ação da Polícia Militar no baile funk eram de Mogi das Cruzes. De acordo com as investigações, os jovens Gabriel Rogério de Moraes, de 20 anos, e Bruno Gabriel dos Santos, 22, foram pisoteadas durante a madrugada de 1º de dezembro, na confusão entre a Polícia Militar e moradores da comunidade.
Moraes vivia em um prédio na Vila Cléo e trabalhava como leiturista de uma empresa. Já Santos era operador de telemarketing e tinha completado 22 anos no dia 28 de novembro. O jovem teria saído de casa dizendo que ia comemorar o aniversário na casa de um amigo.
Um dia após o caso, a Ouvidoria das Polícias do Estado de São Paulo solicitou que os policiais militares envolvidos na ocorrência fossem afastados do serviço operacional das ruas. O pedido foi feito em ofício encaminhado à Corregedoria da Polícia Militar, que também apura as circunstâncias do caso.
Governador
Na época, o governador de São Paulo João Doria (PSDB) lamentou as mortes dos jovens e, no primeiro momento, negou que o resultado tenha sido causada pela ação da Polícia Militar. "A letalidade não foi provocada pela PM, e sim por bandidos que invadiram a área onde estava acontecendo baile funk. É preciso ter muito cuidado para não inverter o processo". Após ver os vídeos da tragédia, o governador alterou o tom em relação ao caso e determinou uma mudança de protocolo da Polícia Militar.