Festas movimentadas, carros de som e pessoas de diversos lugares. Estas são as características que formam o estilo dos eventos realizados pelos jovens atualmente, chamados de bailes, fluxos e, por alguns, de pancadão. Os encontros, que acabam se tornando uma festa a céu aberto, também trazem diversos problemas, como ocorrência de brigas, consumo de drogas e a permanência livre de menores de idade. Em Mogi das Cruzes, há cerca de dois anos, esses bailes foram reduzindo cada vez mais, pelo frequente trabalho da Polícia Civil e Militar de restaurar a ordem nos bairros.
Espalhadas por São Paulo, algumas dessas festas atraem diversos públicos, mesmo sem divulgação prévia. Elas começam com pequenos grupos ao redor de um carro, com aparelhagem de som ou na frente de um estabelecimento comercial, que funciona como um "paredão" de som. Logo, esses frequentadores começam a "espalhar" a festa por meio de suas redes sociais. Não demora muito e ela cresce, transformando-se em um fluxo.
Na região do Alto Tietê, os fluxos eram mais comuns em espaços próximos às comunidades na periferia. Em Mogi das Cruzes, diversos pontos da cidade ficaram conhecidos por esses bailes, que eram vistos com bons olhos pelos frequentadores e nem tanto pelos moradores e policiais. Os mais conhecidos ocorriam nos bairros de Jundiapeba e Jardim Layr.
Uma das frequentadoras de diversos bailes, Gabriela Martins Bernardes, de 18 anos, explicou que a atração pelos eventos é de ter um refúgio de entretenimento depois de uma semana cansativa. "Nós queremos curtir em um local que nós gostamos, com música alta, pessoas legais e amigos, mas na época que tinha esses eventos aqui em Mogi, a polícia aparecia sem ter nada de errado. Às vezes, ocorriam drogas e menores, mas isso tem em diversas festas e baladas por aí", revelou a jovem.
Para a polícia, os pancadões, fluxos e bailes ao ar livre representam o começo de diversos problemas, como drogas, perturbação e até brigas. Em muitos bailes espalhados por São Paulo, por exemplo, o tráfico de drogas acaba se tornando presente, abrindo portas ao fácil acesso na compra de entorpecentes.
Muitas vezes, a polícia entra nesses bailes para realizar o trabalho de dispersão, para que o fluxo não continue. O coronel Wagner Tadeu Silva Prado, comandante do Comando de Policiamento de Área Região Doze (CPA/M-12), relembrou a tragédia ocorrida em Paraisópolis (veja box), em dezembro passado, no qual nove jovens morreram durante uma ação da PM, que ocorreu em um baile funk conhecido como Baile da 17.
Após o ocorrido, o comandante sugeriu maneiras para controlar os eventos ilegais, em vez de coibir. Segundo ele, esses eventos poderiam ser realizados em locais públicos, com a segurança da própria polícia, dando uma oportunidade de cultura e entretenimento.
O secretário de Segurança de Mogi das Cruzes, Paulo Roberto Madureira Sales, concordou com a fala do comandante, e disse que os pancadões realizados em Mogi não têm autorização da prefeitura e, por isso, sempre que realizados, a PM e a Guarda Civil são chamadas para conter. Se tiverem licença da prefeitura, segundo o dirigente, nada impede que seja realizado. "A prefeitura apoia a cultura sempre, existem eventos musicais grandes, como os que acontecem no Mogi Expo", comparou.
Para a conselheira tutelar Denise Andere, novas alternativas de cultura do funk e do hip-hop podem trazer novas formas de entretenimento para os jovens das comunidades, se tornando uma opção aos bailes e fluxos. "Infelizmente, o que acaba acontecendo é um reflexo da má qualidade de educação que o país vêm desenvolvendo. Precisamos ter mais incentivo à cultura e à educação", disse.
*Texto supervisionado pelo editor.