O cotidiano do delegado não é fácil, principalmente para a família dele. De 2011 para 2012, Boigues estava em seu carro, retornando de um almoço com os amigos, quando foi abordado por três criminosos na estrada de Bonsucesso, embaixo na rodovia Ayrton Senna (SP-70). Naquele dia, segundo ele, fazia calor e resolveu baixar os vidros do carro. Enquanto dirigia, conversava pelo celular com a esposa.
Na mesma semana do fato, ele elaborou um boletim de ocorrência de uma vítima que conseguiu escapar de um sequestro relâmpago. Para ele, foi Deus que o iluminou para que fizesse o registro e lembrasse do caso quando estava em posse dos criminosos. "Três pessoas sacaram uma arma quando o trânsito diminuiu e me abordaram. Minha arma estava na lateral da porta e eu tive que passar para o lado do passageiro enquanto os bandidos dirigiam. Naquela semana, só me passava uma cena na cabeça, que era de pular do carro quando eles diminuíssem a velocidade, mesma coisa que fez uma vítima que tinha me contado naquela mesma semana durante o registro de uma ocorrência", lembrou.
Quando os criminosos passaram por uma curva, diminuíram a velocidade do carro e o delegado pulou. Durante o trajeto ele ainda conversava com a esposa, mas quando saiu do veículo, deixou o celular para trás e foi aí que a preocupação surgiu. "Minha família sofre com isso, mas é uma coisa que tem que lidar, porque temos o compromisso de proteger a sociedade, assim como minha família também é protegida pelos policiais", afirmou.
Questionado sobre a possibilidade de um dia os filhos seguirem a carreira na Polícia Civil, Boigues revelou que prefere que ambos sejam médicos. "Prefiro que eles sejam médicos, salvando vidas de outra maneira e correndo menos risco, mas se quiserem ser policiais vão ter meu apoio", finalizou. (L.P.)