Muita gente polarizando contra ou a favor, com argumentos de ambos os lados, não muda um fato: a conta não fecha. O Brasil mergulha na emissão de títulos da dívida pública, numa tentativa de sobreviver. Mas, não há mais tempo para embarrigar o tema adiante, porque o fundo do abismo surge cristalino. O quadro só pode ser revertido com uma lição de casa bem feita, que começa com a nova Previdência Social.
O regramento atual é perverso. Sacrifica os mais pobres, que bancam proventos da minúscula parcela de avantajados. Enquanto o teto
estabelecido pelo INSS para o benefício mensal não chega a R$ 6 mil e cerca de 60% recebem menos de um salário mínimo, há valores altíssimos pagos a marajás inativos dos três poderes ou a seus herdeiros.
Ao falar a palavra marajá, recordo-me do chavão "Caçador de Marajás" que estourou em 1989 e, no ano seguinte, lastreou a eleição de Fernando Collor para presidente da República. Ele sofreu impeachment e deixou o cargo sem honrar a alcunha.
Não havia necessidade de heróis naquela época e nem carecemos deles hoje. O que precisamos, desesperadamente - e desde sempre -, é de gente digna, consciente e responsável, que trabalhe para tornar real uma reforma previdenciária justa a todos os brasileiros. Nada de contemplar uma ou conjunto de categorias. Tem de ser igualmente boa para todos. É o que defendo.
Sem Reforma da Previdência, o Brasil se espatifa no fundo do abismo, junto com educação, saúde e demais áreas. Ou seja, acabam serviços públicos e começa o calote em aposentados e
pensionistas - tanto os marajás quanto os pobres sobreviventes do atual sistema perverso.
O irresponsável adiamento da reforma também bloqueia a retomada do desenvolvimento. Nenhum grupo empresarial de respeito investe num país prestes a quebrar. Há tempos, as grandes multinacionais preferem México, Chile, Peru, Paraguai ou outras nações latino-americanas, onde instalação e manutenção dos negócios encontram ambiente muito mais atraente que o do Brasil, sem a iminência de um colapso econômico-financeiro e político.
Sim, a Reforma da Previdência Social é o carimbo de crédito dos investidores mundiais num passaporte que nosso Brasil já tem, por conta das riquezas naturais e da qualidade da mão de obra. Precisamos muito salvar o país do abismo e recolocá-lo na trajetória do desenvolvimento
sustentável, gerando empregos e renda aos brasileiros. Nova previdência justa para todos é obrigação de todo agente público honrado. Façamos o que tem de ser feito.