A Prefeitura de Mogi das Cruzes tem 30 dias para definir qual gestão de resíduos sólidos será adotada no município para os próximos 30 anos. Ontem, durante uma audiência pública para discutir o assunto na Escola de Governo e Gestão, na qual as empresas CS Brasil e Promulti apresentaram uma proposta de Parceria Público Privada (PPP), o chefe de Gabinete da administração municipal, Romildo Campello, revelou que, nesse período de 30 dias, o Executivo irá ouvir as sugestões da população para, então, dar o aval final, se vai ou não realizar uma PPP. No entanto, isso não significa que, em 30 dias, a prefeitura lançará uma licitação.
A apresentação do projeto da CS Brasil e Promulti dá três opções para a gestão dos resíduos sólidos. Uma delas é continuar levando os resíduos para o aterro sanitário na cidade de Jambeiro, como ocorre atualmente com o lixo de Mogi. A segunda opção é a destinação dos resíduos em uma unidade de recuperação energética. E a terceira, a destinação dos resíduos em um aterro bioenergético, concebido para não haver mitigação de gases efeito estufa. "Apresentamos três opções e cada uma delas tem um custo. Então, a cidade tem a opção de fazer qualquer uma delas. Nesse sentido, a mais vantajosa é o aterro bioenergético ou quase que rivalizando a implantação de uma usina de recuperação energética, mas essa depende da venda de energia. De qualquer maneira, ainda que seja para levar os resíduos para um aterro externo, as necessidades de investimento de recuperação do lixão da Volta Fria é essencial", explicou o diretor da Promulti, Artur Cesar de Oliveira.
Apesar de a melhor solução ser considerada a usina de recuperação energética, é necessário que o equipamento consiga produzir e pagar a energia. Por isso, o diretor da Promulti explica que, como técnico, é interessante se fazer as três opções em longo prazo. "A melhor opção seria a produção de energia desde que a venda consiga pagar essa conta, mas conseguimos fazer um casamento híbrido das três alternativas, havendo a modernização do sistema", destacou.
No entanto, o Executivo mogiano descarta a criação de um aterro na cidade, conforme divulgado por Campello. Segundo ele, essa é uma opção que está "fora da política de Mogi". "Ainda não definimos nada, mas está descartada a opção de aterro na cidade, mesmo que o estudo seja obrigado a prever essa hipótese. Mogi está muito distante de ter um aterro", garantiu. Ainda, o chefe de Gabinete da administração ressaltou que é necessário que o município tenha um tratamento do lixo, alegando que um incinerador seria o futuro de Mogi. "Precisamos de uma gestão moderna dos lixos e resíduos da cidade", concluiu.
O vereador Jean Lopes (PCdoB) esteve na audiência e compartilhou sua experiência em conhecer uma usina termoelétrica em uma viagem à China. "Estive na China e vi um projeto muito interessante, que é uma usina que gera energia. São várias tecnologias que existem mundo afora, acho que os mogianos tem de participar, eles é que tem de opinar", disse.