Funcionários da Frente de Trabalho de Poá estão há quase três meses sem receber cesta básica de alimentação. A informação sobre a interrupção do fornecimento foi divulgada durante a sessão da Câmara de Vereadores, na última terça-feira, e repercutiu não só nas galerias da Casa de Leis, como também no funcionalismo público do município. 
A presidente do Sindicato dos Servidores Públicos (Sinserp), Maria Leila Boaceff, conversou com a reportagem sobre o tema e detalhou que os trabalhadores estão receosos em divulgar a interrupção na entrega das cestas básicas. "Os funcionários não entraram em contato com o sindicato, no entanto, nós os procuramos e eles confirmaram a informação, mas estão acuados em divulgar a falta do benefício". A dirigente ainda destacou que o valor percentual da cesta básica, que pode chegar até 20%, estaria sendo descontado dos salários dos trabalhadores.
Após tomar conhecimento do que estava ocorrendo, Maria Leila entrou em contato com a prefeitura, mas não obteve respostas do Executivo municipal.
Na câmara, o vereador Luiz Eduardo Oliveira Alves (Pode), o Edinho do Kemel, revelou que alguns integrantes da Frente pediram o apoio dele para contornar a situação. "Esses trabalhadores são os que recebem o menor valor em salário, o mínimo que merecem é dignidade e respeito. Podem contar comigo para fazer valer os direitos que lhe são assegurados. Eu vim da frente de trabalho e não renego minhas raízes! Já solicitei que o prefeito Gian Lopes (PL) se posicione sobre esse absurdo. A família precisa comer e não é somente quando a barriga dói".
Irregularidades
Procurada para esclarecer a situação, a Prefeitura de Poá afirmou que uma licitação foi aberta para a compra das cestas, porém o Tribunal de Contas do Estado (TCE) acabou suspendendo o certame. "Foi designada licitação para aquisição das cestas, entretanto, houve impugnações junto ao Tribunal de Contas e o processo foi suspenso indeterminadamente. Até o julgamento final da demanda a administração pública vem estudando alternativas para minimizar os problemas"
Apesar da decisão do TCE, a administração municipal avisou que a situação deverá ser normalizada mês que vem. "Dentro de aproximadamente quinze dias a situação será solucionada", finalizou.