Uma investigação da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Sonegação Tributária, da Câmara de Vereadores de São Paulo, verificou que as instalações do banco Itaú, em Poá, eram "insuficientes para execução das operações do porte do banco". De acordo com o presidente da CPI, o vereador Ricardo Nunes (MDB), o prédio estava vazio e apenas 19 funcionários trabalham no local. No entanto, durante as investigações, encontraram menos que a metade deles no imóvel. Com isso, o Itaú irá transferir a instalação para a cidade de São Paulo, fazendo com que Poá perca, por ano, ao menos 40% de arrecadação do Imposto Sobre Serviço (ISS), conforme informação divulgada pelo Executivo.
Caso isso ocorra, o orçamento programado de Poá com base neste ano de
R$ 391 milhões, poderia ser de R$ 234 milhões, um desfalque de R$ 157 milhões.
Com essa decisão, o Itaú iria para a cidade de São Paulo, que teria um acréscimo no orçamento, que para este ano é de R$ 60 bilhões. "Para chegar a essas informações foi realizado um trabalho de inteligência com a equipe de Consultoria Técnica de Economia e Orçamento (CTEO) da Câmara Municipal através dos dados contábeis divulgados publicamente pela própria instituição. Além disso, oitivas com funcionários que supostamente trabalhavam em Poá, superintendência e diretores do Itaú foram realizadas", destacou Nunes.
De acordo com a Prefeitura de Poá, o Itaú está instalado na cidade desde 1992, o que contribuiu para o crescimento do município por conta do ISS. A administração esclareceu que a situação a surpreendeu e busca explicação os fatos junto à instituição financeira. "A prefeitura está em contato com o banco e aguarda, com urgência, a designação de reunião. Temos plena confiança que o Itaú não adotará nenhuma postura que venha a prejudicar drasticamente o orçamento municipal, e, consequentemente, os serviços essenciais da população, como saúde, educação e segurança", concluiu. A reportagem entrou em contato com o banco, mas não teve retorno.