Neste sábado, o programa Circuito Cultural Paulista retorna a Mogi das Cruzes, com a peça teatral "Meia-Meia", interpretada por Luis Mármora. Inspirado e adaptado do romance "O Anão", do escritor sueco Pär Lagerkvist, o espetáculo será apresentado às 20 horas no Teatro Vasques. Os ingressos serão distribuídos gratuitamente a partir das 19 horas, na bilheteria do teatro.
Em palco, Mármora interpreta o anão Meia-Meia, que relata o cotidiano e os bastidores de uma corte na Renascença, exaltando a todo instante seu fascínio pela guerra e pela destruição. A estatura, de 66 cm, torna-se inversamente proporcional ao tamanho de sua violência, truculência e perversidade.
Este é o primeiro monólogo de Luís Mármora, que também foi idealizador da montagem. "O espetáculo nasceu de um convite meu para o Vadim Nikitin. Eu queria fazer um monólogo que tivesse a política como temática central. Não queria um personagem que fosse a representação do poder, mas que desfrutasse dele, bebesse dos privilégios. E o Vadim lembrou dessa obra, que é praticamente desconhecida no Brasil, teve uma única edição em 1970. Embora tenha sido escrito em plena 2ª Guerra Mundial, em alguns trechos do romance dá quase para dizer que é uma ficção para a teoria de Maquiavel, sobre como este descreve as possíveis tomadas de poder", comenta o ator.
Com humor ácido e mordaz, o personagem representa a maldade e a pequenez humanas. "O anão tem uma potência muito destrutiva. Claro que o apelo teatral faz com que tornemos a figura dele ainda mais sedutora do que no romance. E o humor vem sempre pela inversão de tudo o que seria uma demonstração de amor. Então, ele diz coisas do tipo 'como amor é uma coisa repugnante', 'como é desprezível a mão de uma criança'", revela Mármora.
A ideia é justamente explicitar como esse tipo de comportamento desprezível também faz parte do ser humano. "Ele expõe o que há de mais sombrio na força humana, que é uma coisa com a qual temos nos deparado cada dia mais nas relações político-sociais. As relações se tornam cada vez mais explicitamente violentas e dominadas pelo ódio. Ele vem para questionar como lidamos/domamos isso", comenta.
A dramaturgia é assinada pelo próprio ator, por Vadim Nikitin e por Georgette Fadel, que dirige o espetáculo com Juliana Jardim. A peça estreou em 2018 no Espaço Cênico do Sesc Pompeia.