O Dia Mundial do Autismo foi criado pela Organização das Nações Unidas (ONU) no ano de 2007 e é comemorado todo dia 2 de abril. O foco da celebração é buscar a conscientização sobre o transtorno e as medidas de cuidado e atenção voltadas às pessoas autistas. Com o intuito de informar, o grupo Mães Azuis promove ações de inclusão social das famílias com pessoas portadoras do Transtorno Espectro Autista (TEA). O Grupo é composto atualmente por mais de 400 famílias em todo o Alto Tietê e sua maior predominância está em Poá.
A comunidade foi criada após a advogada Andrea Dul, de 49 anos - que tem uma filha autista, Andressa, de 7 -, enfrentar um episódio de discriminação por parte da escola onde a menina estudava. "A ideia de formar o grupo veio após minha filha ser convidada a se retirar da escola particular em que estudava. Ingressei com ação judicial para mantê-la na instituição e ter o professor auxiliar em sala de aula, que é direito garantido pela Lei do Autismo", explicou Andrea, que também é presidente da Comissão dos Direitos das Pessoas com Deficiência, Autismo e Idoso pela OAB de Poá.
O grupo se encontra mensalmente para conversar com as mães e acompanhar palestras com profissionais das áreas médica, psicológica e jurídica. Os encontros geralmente acontecem nos últimos sábados do mês no prédio da câmara da cidade.
A dona de casa Amanda Lima, 32, observou os primeiros sinais do TEA da filha Letícia, 5, quando ela tinha apenas um ano e meio, mas somente aos dois foi diagnosticada com autismo. As principais características notadas foram a ausência da fala e a falta do contato visual. Segundo ela, é muito difícil lidar com os julgamentos da sociedade. "A pior dificuldade é o preconceito das pessoas, isso machuca demais e, infelizmente, acontece muito. Principalmente na escola, nos passeios e em lugares que deveriam servir de acolhimento, como na nossa própria família", lamentou.
Amanda conheceu o projeto Mães Azuis há três anos e, desde então, tem sido beneficiada pelas ações. "Nas reuniões, eu descobri os direitos da minha filha, tive conhecimento sobre as leis e me sinto sempre muito acolhida. Todas as mães dão as mãos e oferecem amparo umas para as outras. Assim, temos a certeza de que não estamos sozinhas e conseguimos forças para enfrentar os dias ruins ", pontuou.
Já a confeiteira Roselane Silva, 48, ressaltou que a maior dificuldade que enfrenta junto ao filho, Luan, 6, é com as terapias. "Meu filho já sofreu muito preconceito em algumas clínicas e enfermarias, isso é humilhante para mim. Muitos profissionais não estão capacitados para oferecer os tratamentos", disse. Segundo o relato da mãe, em uma das crises que o filho teve, ela escutou xingamentos da própria enfermeira que ali tentava prestar auxílio.
Roselane, que também participa do grupo Mães Azuis, mencionou sobre a solidariedade das ações. "Eu fiquei feliz em saber que não estou sozinha e também me tornei cada vez mais forte para buscar meus direitos", explicou.
Além dos encontros mensais, são promovidos de dois a três eventos por ano para a inclusão social das famílias e filhos. Tanto as mães quanto os pais podem participar do projeto.
* Texto supervisionado pelo editor.