Diante dos ocorridos recentes de violência no mundo todo, as legalizações da posse e do porte de arma ganharam ainda mais destaque nessas últimas semanas, principalmente pelo polêmico decreto já assinado pelo presidente Jair Bolsonaro (PSL), sobre a posse de armas de fogo, em janeiro deste ano.
Na semana passada, vivenciamos o atentado à Escola Estadual Professor Raul Brasil, em Suzano; logo em seguida, foi a vez da cidade de Christchurch, na Nova Zelândia, tomar conta do noticiário com a tragédia nas mesquitas, assim como o tiroteio em um bonde, na cidade de Utrechtna, na Holanda. Fatos como esses, estão se tornando frequentes em um curto espaço de tempo. A posse ou porte de arma seria um passo importante para a segurança pública? Segundo especialistas entrevistados, o assunto é delicado e é preciso cautela para que a flexibilização da posse de arma não seja responsável por outros episódios trágicos, ou mesmo que coloque a vida das pessoas em risco.
O sociólogo e colaborador dos jornais Mogi News e Dat, Afonso Pola, afirma que o presidente Bolsonaro foi um dos responsáveis pela maior visibilidade em torno do assunto, desde a época em que ainda era candidato à Presidência. "Bolsonaro pôs à prova questões que eram defendidas pelos cidadãos de bem, mas suas ideias sobre a liberação da posse de arma representam a crença de uma parte da população, de que, armada, ela se defende melhor''.
Para Pola, o número de mortes causado pelo uso de armas de fogo deve ser levado em consideração. "A posse de arma é um assunto sério, que deve ser bem analisado, pois no Brasil, acontecem 600 mil homicídios com arma de fogo por ano. Nem regiões de conflito mundo afora apresentam uma estatística tão elevada'.'
O diretor da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) de Mogi das Cruzes, Dirceu do Valle, aponta que o novo decreto federal não teve tanta alteração, mas facilitou a vida de quem quer ter acesso a arma. "A posse não é difícil de ser obtida, é só realizar os exames necessários, que são bem simples, e a pessoa consegue a licença. Não existe uma dificuldade e nunca teve. Basicamente, qualquer um pode ter a posse de arma''.
Para ele, não é fácil chegar a um consenso, pois existem diversas vertentes. "O caso em Suzano é muito complexo, porque não é possível garantir que se tivesse alguém armado dentro da escola, a situação seria diferente. O que eu posso dizer é que a mídia dá muito exposição para casos como esse, mais do que deveria", opinou.
Exemplo disso, segundo ele, é o massacre que ocorreu na Nova Zelândia, onde um atirador entrou em duas mesquitas e matou mais de 42 muçulmanos. "Em outros países não se divulga o nome do atirador, nem nada sobre esses indivíduos. Isso evita que o caso chame muita a atenção e minimiza as chances de se tornarem inspiração para algumas pessoas cometerem atos semelhantes".
Já o vice-presidente da OAB Suzano, Fabricio Tsutsui, afirma que existe um despreparo da população quando se trata de armamento. "O nosso país não tem capacidade para legalizar a posse. O ideal seria uma nação totalmente desarmada, por outro lado, quando você tem armas nas mãos de bandidos, você precisa dar uma chance para as pessoas. É uma questão polêmica".
*Texto sob a supervisão do editor.