Desde que assumiu o cargo de delegado seccional da Delegacia Seccional de Mogi das Cruzes, em agosto do ano passado, planos para dinamizar a atuação da Polícia Civil acompanham Jair Barbosa Ortiz. Na época, conforme publicado pelo Grupo Mogi News de Comunicação, um dos objetivos do delegado era a aproximação entre as polícias Civil e Militar, criando uma atuação benéfica nas delegacias. Isso entrou em prática com a criação do Núcleo de Análises de Boletim de Ocorrência, para avaliar a qualidade do registro e quanto tempo a vítima demorou a ser atendida.
A criação do núcleo surgiu após Ortiz verificar que existe um problema grave no atendimento ao público. "Estamos com um sistema que há anos não está funcionando. Ninguém está satisfeito e tenho que começar a trabalhar para poder resolver esse entrave do atendimento no plantão policial", explicou.
Em média, uma pessoa espera de 4 a 5 horas para ser atendida em um plantão policial. A mesma situação ocorre com policiais militares, que ao chegarem a determinado Distrito Policial (DP), deixam de patrulhar um bairro e passam cerca de 8 horas até o registro da ocorrência. "Não concordo que o sistema funcione desse jeito, quero que as pessoas sejam atendidas em tempo razoável. Se for preciso, que as chefias de delegacia façam o plantão, uma vítima de roubo não pode ficar esperando tanto tempo", contou. A ação já está em prática nos DPs da região
.
Transferência
"Um chiqueiro", foi assim que Ortiz se referiu à situação da Cadeia Pública de Poá, uma cadeia em trânsito feminina para adolescentes. "Quando falamos de Cadeia Pública as pessoas entendem que é uma cadeia mesmo, que tem 150 presas e vamos transferir todas para Mogi, mas não é assim", explicou.
A condição atual do espaço levou o delegado a iniciar um projeto para reforma, por isso, durante esse período, as mulheres detidas que ficariam em Poá serão encaminhadas para a Cadeia Pública de Mogi, um espaço considerado adequado. "Em média, passam de sete a oito pessoas pela cadeia de Poá, e eles ficam por 24 ou 48 horas no máximo até serem levados para o sistema prisional", declarou o seccional.
O projeto para a reforma do prédio, que pode custar em média R$ 1,5 milhão, já existe e o investimento será de uma parceria entre sociedade civil organizada, ou seja, empresários, Executivo, advogados e bancos. "Não posso colocar uma pessoa na cadeia em Poá, tenho que reformar e isso não vai atrapalhar Mogi. Penso na saúde das pessoas", concluiu.
A Secretaria de Estado da Segurança Pública informou à reportagem que a Cadeia de Mogi possui 66 vagas e também é uma unidade em trânsito.