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Conhecer um país com uma cultura distinta é o sonho de muitas pessoas. No entanto, para alguns, é questão de sobrevivência, como é o caso dos refugiados que estão abrigados no Brasil. Guerras e crises que assolam diversos países fizeram com que refugiados do Egito, Síria, Venezuela, Marrocos e Iraque, por exemplo, procurassem uma nova chance de vida nas cidades do Alto Tietê. A reportagem conheceu ontem a história da cabeleireira Asmaa Helali, de 25 anos, da Síria; do vendedor Hani Rawass, 27, do Egito; e do economista Darwin Perez, 32, da Venezuela. Há um mês e meio eles foram contratados para o cargo de operador de pedágio, na praça de Itaquaquecetuba, administrada pela concessionária Ecopistas.
O ingresso dos refugiados na empresa aconteceu pelo programa "Capacitar", que tem como objetivo aumentar a empregabilidade e a inclusão social de pessoas que vivem em situação de vulnerabilidade em cidades do entorno das rodovias administradas. "Em 2018 nós escolhemos os refugiados, que são pessoas vindas de outro país e escolheram o Brasil como a segunda casa. Fizemos algumas parcerias com Organizações Não-Governamentais que os acolheram e, a partir daí, 12 deles foram aprovados no nosso processo seletivo e nove trabalham na Ecopistas", explicou a supervisora de sustentabilidade da concessionária, Ederli Almeida.
Ao todo, 15 refugiados participaram do programa de capacitação e receberam treinamento profissional, como atendimento ao cliente, noções de informática e da concessionária. "Um dos desafios é a questão da língua, a maioria fala mais de um idioma e já tinham um histórico profissional", disse Ederli.
A cabeleireira Asmaa saiu da Síria há três anos e reside em Mogi das Cruzes. A primeira impressão que teve do Brasil não a agradou. "Não gostei quando cheguei aqui, é tudo diferente, a comida e a língua, mas conseguir o trabalho foi muito bom, é um trabalho diferente", contou. Asmaa chegou ao país com a mãe e dois irmãos, pois tinham amigos que já residiam na região, mas o pai dela ainda está na Síria. "Meu pai ainda está lá e ele mora com uma tia", ressaltou.
Desde os 9 anos trabalhando, o vendedor Hani contou que quando saiu do Egito tinha como destino a Guiana Francesa, mas que para chegar até lá, precisaria passar pelo Brasil. Foi então que se apaixonou. "Eu amei o Brasil, os brasileiros, e ia ficar só uma semana aqui, mas acabei gostando. Tudo aqui me agrada, a cultura, a natureza e o direito do trabalhador", declarou. Ele já está no Brasil há um ano e meio. "É um ótimo trabalho. Encontrei uma nova família aqui", finalizou.
Já o venezuelano Darwin, está há cinco meses no país e há um mês se casou com uma conterrânea que conheceu em Roraima. "Eu trabalhava como economista na Venezuela, mas pela crise tive que sair, então vim para o Brasil. Conheci minha esposa e logo nos casamos. Minha família está espalhada pelo Peru, Equador, Argentina, mas eu vim para cá", disse. Para ele, a adaptação ao novo trabalho não foi difícil. "Como eu já trabalhava na área administrativa não tive dificuldades e a cultura da Venezuela é muito parecida com a daqui", concluiu.
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