Muitas pessoas quando chegam a uma idade maior do que 60 anos buscam apenas a aposentadoria e o conforto de um lar, já outros procuram novas atividades para manter uma vida ativa e repleta de tarefas. Como são os casos de alguns idosos moradores de Mogi das Cruzes que, mesmo após os 60 anos, se matricularam em cursos nas faculdades da região. O grupo Mogi News entrou em contato na manhã de ontem com os estudantes da Universidade de Mogi das Cruzes (UMC) e a Universidade Braz Cubas.
Há alguns anos a aposentadoria significava a acomodação da vida e a hora de aproveitar os tempos livres, porém, com aumento da população idosa e a condição para viver melhor, muitas pessoas mudaram essa forma de existir após os 60 anos. De acordo com a coordenadora do curso de Serviço Social e membro do Núcleo de Diversidade e da Brazcubas, Silvia Carbone, o número de pessoas idosas que frequentam a faculdade está crescendo. "Nós temos alguns alunos com mais de 60 anos que realizam diversos cursos da unidade. Não há um fator especifico que explique esse fenômeno, mas geralmente são pessoas que sempre tiveram sonhos e não realizaram, ou até mesmo aqueles que querem complementar novos conhecimentos", afirmou.
Como é o caso do professor, estudante universitário e morador da Vila Oliveira em Mogi, Cesário Bianchi Filho, 60 anos. "Eu cursei Medicina há mais de 30 anos e tive a oportunidade de fazer um novo curso na minha vida e como sempre gostei de estudar, hoje estou no sexto semestre de Direito", contou.
Porém, segundo o estudante, algumas dificuldades são enfrentadas durante essa fase da vida. "Eu frequentei a faculdade enquanto jovem e agora estou em outra fase, claro que percebo que há uma diferença. Principalmente na questão de estudar, com certa idade há uma dificuldade de lembrar algumas coisas. Mas tudo é adaptação, em época de prova eu estudo perto do horário da atividade e vou bem", disse.
Já a comerciante, estudante e moradora do bairro Mogi Moderno, Izabel da Nóbrega Teixeira, 75, afirmou que não pôde estudar quando era mais jovem. "Antigamente os pais não deixavam estudar. Quando chegava a uma certa idade éramos obrigadas a cuidar dos irmão, depois me casei, tive meus filhos e deixei esse sonho de lado. Com 70 anos segui meu sonho, hoje curso Direito e pretendo me formar ano que vem e se Deus quiser, pretendo fazer outra atividade depois".
O biomédico, estudante e morador da Vila Oliveira, Alaylton Francisco Souza de Melo, 68, ressaltou a importância de fazer algo novo. "Eu nunca gostei de ficar parado, por isso busquei fazer um novo curso na faculdade. É lógico que a idade pesa, mas os idosos precisam fazer alguma atividade para não ficar parados. As universidades tem que incentivar nós idosos, seja em forma de vestibulares, cotas, entre outros", concluiu.
* Texto supervisionado pelo editor.