A substituição da comercialização dos canudos de plástico pelos feitos com materiais biodegradáveis, como indica o projeto de lei aprovado na Câmara de Mogi da Cruzes na semana passada, já está sendo pensada por alguns estabelecimentos, preocupados em como será o período de adaptação. A legislação na cidade, que segue uma tendência mundial para a retirada dos canudos de plástico de circulação, foi criada pelos vereadores Fernanda Moreno (PV) e Otto Rezende (PSD).
O projeto foi aprovado no Legislativo e encaminhado para a administração municipal, onde o prefeito Marcus Melo (PSDB) deverá sancioná-lo nos próximos dias.
Um dos restaurantes mais antigos do distrito de Brás Cubas é a favor da substituição. A gerente do estabelecimento, Lígia Marques da Silva, de 38 anos, contou que a equipe já está pensando em medidas de adaptação. "O preço da bebida não será encarecida por conta da compra dos canudos biodegradáveis. O valor não será repassado para o cliente. Estamos pensando que, no futuro, poderemos oferecer a opção para o cliente em aceitar ou não o canudo. Caso aceite, um custo poderá ser acrescentado na comanda, por que ele estará comprando o canudo", explicou; ressaltando ainda que essa é apenas uma opção que está sendo avaliada pelo restaurante.
A gerente do local com quase 40 anos de existência acredita que se o prefeito sancionar o projeto de lei, as pessoas irão se conscientizar sobre o assunto. "Será como na época em que foi proibido fumar dentro de estabelecimentos fechados. Muitos acreditaram que iriam perder clientes por conta disso, mas não foi o que aconteceu. Acredito que será uma fase de adaptação", opinou.
Os clientes do restaurante, Décio Cardoso, 63, comerciante de marmoraria, e Eduardo Toledo, 50, gerente de vendas, também concordam com a mudança. O comerciante Décio Cardoso não tem o hábito de usar canudos e diz ter consciência da importância de diminuir o consumo de plásticos. "O canudo não é hábito nosso, sempre optamos por usar o copo de vidro, mas em alguns estabelecimentos não há opção. Em casa temos o costume de usar menos plástico no geral. Substituímos sacolas de mercado por caixa de papelão ou sacos retornáveis", contou.
Assim como Cardoso, o gerente de vendas, Eduardo Toledo, também não tem o hábito de usar o canudo. "Já minha filha utiliza em tudo em que ela toma, e esse canudo precisa ser descartado em algum momento. Sempre sou a favor de medidas com o objetivo de preservar nosso planeta", expôs. 
Multa
Caso o prefeito Marcus Melo sancione a lei, os locais que forem flagrados distribuindo canudos de plástico não biodegradáveis serão advertidos e intimados a se regularizarem no tempo determinado. Em um segundo momento, os estabelecimentos serão multados em R$ 2.509,35 e, insistindo na distribuição irregular do material, o valor passará a ser R$ 9.200,95. O prazo para adaptação do comércio será de 180 dias a partir da data da publicação da lei.
*Texto supervisionado pelo editor.