A decisão do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Luiz Fux, em suspender a aplicação de multas pelo descumprimento dos preços mínimos do frete rodoviário, além da variação do preço do diesel nos últimos meses, causaram a insatisfação dos caminhoneiros.
Embora a categoria cogite uma nova greve no futuro, a Federação dos Caminhoneiros de São Paulo (Fecan-SP) garantiu que, no atual momento, o grupo não pensa em organizar nenhuma paralisação.
Segundo o presidente da Fecan-SP, Claudinei Pelegrine, a decisão do STF foi precipitada, mas a Federação aguarda uma reavaliação por parte da Corte Suprema. "Como entidade representativa da categoria em todo o Estado de São Paulo, continuaremos fazendo o possível para que o diálogo, a razão e o bom senso voltem à mesa, apesar da medida arbitrária e precipitada da Corte Suprema, na pessoa do ministro Luiz Fux, que não teve a humildade sequer de ouvir as lideranças da categoria", destacou.
Mesmo sem apoio da entidade representativa para uma nova paralisação, na última segunda-feira, caminhoneiros fizeram bloqueios em pontos da Rodovia Presidente Dutra em Barra Mansa e Porto Real, ambas cidades do Rio de Janeiro, mas a rodovia foi liberada no mesmo dia.
Segundo a Federação, uma nova paralisação pode ser prejudicial nesse momento, principalmente pelo novo governo que acaba de ser estabelecido, mas afirma que segue ao lado dos caminhoneiros que representa.
Pelegrine não descarta a possibilidade de uma nova manifestação. "O que nos preocupa é a insatisfação de toda categoria que, a ser mantida essa decisão, poderá deflagar uma nova paralisação, e muito provavelmente o fará", adiantou o presidente.
Relembre a greve
A greve dos caminhoneiros no Brasil, também conhecida como Crise do Diesel, teve início no dia 21 de maio de 2018. A categoria paralisou os serviços de transporte e se manifestou contra reajustes frequentes no preço dos combustíveis, principalmente o diesel, pelo fim da cobrança de pedágio por eixo suspenso e pelo fim do PIS/Confisns sobre o diesel.
A Fecam-SP acompanha as variações dos valores por todo o Estado de São Paulo e afirma que o acordo estabelecido com o governo para o fim da greve, que garantia, até então, a alteração do preço do diesel apenas uma vez por mês, não tem sido cumprido.
Em Mogi das Cruzes, a média do valor do combustível no fim de novembro era de R$ 3,53, o que representa 6,8% a mais que abril, antes do início da greve. (Texto supervisionado pelo editor)