O número de casos de jovens entre 15 e 19 anos caiu nos último três anos. Em 2015, o número de jovens grávidas representava 18% do total de futuras mamães no Alto Tietê. Já em 2017 a queda foi de dois pontos percentuais, com 2.824 mil meninas grávidas do total de 18.157 dos nascimentos. A médica ginecologista e coordenadora das Políticas Públicas para a Mulher e coordenadora do Programa Saúde do Adolescente, Albertina Duarte Takiuti, disse que, muito além das políticas públicas, o papel da família é importante na hora de orientar o adolescente quando chega a fase de se envolver nos relacionamentos sexuais.
Diante de um novo cenário, em que a primeira relação está ocorrendo de maneira precoce, a médica explica que o papel da família está em transição. "No Brasil, a média é entre os 14 e 15 anos e os primeiros relacionamentos sexuais estão acontecendo com amigos - os chamados ficantes -, o que representa a falta de vínculo. E, com isso, os pais são pegos de surpresa quando dessa relação surge uma gravidez", explicou. A coordenadora ainda orienta que é aconselhável que os pais comecem a conversar com os filhos sobre relacionamento sexual antes de eles começarem a namorar e indica os 10 anos de idade como uma fase boa para abordar o assunto.
Albertina expõe que os pais devem conversar sem assumir o papel de juiz, mas sim de acolhedores. "Às vezes, os pais não sabem conversar. O seu papel está em desenvolver a autoestima e autoimagem do adolescente, porém devem saber que o jovem, às vezes, se acha onipotente e diz que "não vai acontecer comigo', e os pais acreditam", comentou. Mais do que dar aula de anticoncepcional, a ginecologista afirma que o filho deve se sentir acolhido e, por isso, é importante que os pais participem de atividades com os filhos, como esportes, preparar almoços de domingo, para estreitar a relação entre pais e filhos, de forma carinhosa. O objetivo é reforçar a união. (N.F.)