Os médicos cubanos do programa Mais Médicos que atuavam nos equipamentos de saúde da rede pública do Alto Tietê já começaram a deixar os cargos. Pelo menos 15 profissionais nas cidades de Arujá, Biritiba Mirim, Ferraz de Vasconcelos, Suzano e Santa Isabel se desligaram das atividades, segundo informado ontem pelas prefeituras à reportagem. A decisão de Cuba de sair do programa aconteceu na quarta-feira da semana passada após declarações divergentes do presidente eleito, Jair Bolsonaro (PSL). Ao menos 30 médicos contemplavam a região nos atendimentos. Itaquaquecetuba e Salesópolis, localidades em que os médicos atuavam, também podem sofrer com a saída, embora essas prefeituras ainda não tenham confirmado a decisão.
Apenas um médico cubano do programa trabalhava em Ferraz e já deixou o atendimento. De acordo com a administração municipal, o município não sofrerá com a perda. "Afeta pouco, pois a cidade conta com apenas um médico cubano. Com a saída, os atendimentos que o profissional realizava estão sendo supridos e há uma reposição programada para o dia 7 de dezembro". Foi informado também que a cidade pretende solicitar mais oito profissionais do programa.
Entretanto, a situação em Suzano é diferente, já que dez médicos cubanos deixaram as Unidades Básicas de Saúde (UBSs) desde a semana passada. Nenhum deles tem interesse de permanecer no Brasil por conta do prazo para fazer o Revalida, programa que reconhece os diplomas de médicos que se formaram no exterior e querem atuar no Brasil.
Ontem, foi o primeiro dia útil em que os médicos não atuaram. Para que os pacientes não sejam prejudicados, o prefeito Rodrigo Ashiuchi (PR) determinou a contratação de novos profissionais para repor o quadro. "Serão chamados os próximos nomes na lista de classificados do processo seletivo municipal realizado em junho deste ano", informou. Até a contratação, as consultas dos pacientes que eram atendidos pelos profissionais do país caribenho serão canceladas temporariamente.
Dos oito profissionais do programa em Arujá, três são cubanos. Uma das médicas deve voltar para Cuba até domingo e já encerrou os atendimentos. Já outra, estava em período de férias e não deve retornar. A terceira médica decidiu permanecer na cidade, mas de acordo com a prefeitura, já encerrou os atendimentos. "O impacto se dará no atendimento ambulatorial das UBSs, motivo pelo qual será necessária uma reorganização interna entre os profissionais", declarou. Já em Santa Isabel, apenas uma médica cubana atuava na cidade, que também deixou o atendimento.
Em Biritiba, quatro médicos cubanos atuavam nos equipamentos de saúde, realizando em média 2,5 mil atendimentos por mês. Eles deixaram de atender no início da semana, segundo informou a prefeitura. Outros cinco profissionais na cidade farão a cobertura da demanda e a previsão é de que em duas semanas as vagas sejam supridas.
Também prestavam serviços 11 médicos cubanos em Itaquá e quatro em Salesópolis. As cidades de Poá e de Guararema não são contempladas com o programa e Mogi das Cruzes não participa do mesmo.