O trabalho do policiamento preventivo tem contribuído para os baixos índices de homicídios dolosos em Guararema, Biritiba Mirim e Salesópolis. Esses municípios registraram poucos ou nenhum assassinato nos últimos dois anos. Guararema apresentou, em 2016, apenas uma ocorrência de latrocínio, que é o roubo seguido de morte, e sete tentativas de homicídio. As tentativas somam, ao longo de 32 meses, 15 ocorrências de acordo com os dados da Secretaria de Estado de Segurança Pública de São Paulo (SSP).
Outra cidade que também apresentou poucos casos foi Biritiba. Dentro do período de dois anos, o município registrou quatro assassinatos e nove tentativas. No ano passado não houve registro esse tipo de delito. Neste ano, até agosto, Guararema e Salesópolis não registraram esse crime. Por sua vez, Biritiba registrou uma ocorrência de homicídio, uma de latrocínio e uma tentativa de assassinato. Em Salesópolis o índice de homicídio e tentativa de homicídio são inexistentes desde 2017 até o mês de agosto deste ano. Em 2016 Salesópolis registrou apenas um caso de homicídio e duas tentativas de assassinato.
Prevenção
O comandante do 17º Batalhão da Polícia Militar de Mogi das Cruzes, responsável pelos municípios de Guararema, Biritiba e Salesópolis, o tenente-coronel Ary Kamiyama, apontou que os baixos índices dessas cidades são atribuídos ao policiamento preventivo. Segundo ele, algumas ocorrências que podem resultar em homicídio, são em decorrência de desentendimento ou perturbação ao sossego, por exemplo. "Quando recebemos a chamada, passamos o caso para o sargento avaliar. Se for grave é enviado uma viatura até o local, se não os policiais orientam o público pelo telefone", explicou.
A orientação remota é realizada por meio do Serviço de Orientação ao Público (SOP) que, de acordo com o comandante, agiliza o trabalho. "São dois os benefícios com esse serviço: o policial conversa com as pessoas pelo telefone para equacionar a ocorrência com as equipes e órgãos relacionados, como assistência social por exemplo. Com isso atendemos o conflito e economizamos o tempo da viatura que fica realizando o trabalho preventivo", esclareceu.
Kamiyama ainda comentou sobre o contato direto com a comunidade. "Todas as ações da PM são norteadas pela gestão de qualidade em direitos humanos e polícia comunitária. Esse contato comunitário facilita a comunicação. Os próprios moradores ajudam a SOP a obter informações. Tudo isso otimiza a força do trabalho policial". Além dos atendimento preventivos, os militares têm trabalhado no combate ao tráfico de drogas, uma vez que existem casos de homicídio relacionados a prática desse crime.
Altas
As cidades de Itaquaquecetuba, Mogi das Cruzes e Suzano são os municípios da região que apresentaram índices elevados, em relação aos demais municípios da região, de ocorrência de homicídio doloso. Apesar das altas, o cenário é de queda contínua desde 2016. Em Itaquá a redução foi de 45 ocorrências para 22 em 2018, uma diferença de 51%. Já os municípios de Mogi e Suzano mostraram queda de 53 % e 50%, respectivamente.
O comandante Kamiyama comentou que o ideal sempre será tentar fazer que o índice chegue a zero. "Nos últimos dois meses realizamos um estudo de caso para entender até que ponto o policiamento preventivo pode ajudar a minimizar a taxa de homicídio", finalizou o tenente-coronel.
*Texto supervisionado pelo editor.