O corpo da estudante Rayane Paulino, de 16 anos, foi sepultado na tarde de ontem no Cemitério da Saudade, em Mogi das Cruzes. A jovem estava desaparecida desde o último dia 21 depois de sair de uma festa que acontecia em um sítio localizado no bairro do Botujuru, em Mogi. No domingo, moradores do bairro Lambari, em Guararema, próximo à rodovia Ayrton Senna (SP-70), sentiram um forte odor saindo da mata e chamaram as autoridades ao encontrarem um corpo em estado avançado de decomposição, atrás de uma pilastra de concreto. Na manhã de ontem, a mãe de Rayane, Marlene Maria Paulino Alves, reconheceu a filha.
Familiares da jovem estiveram no local, mas a confirmação de que o corpo era dela aconteceu pela manhã, no Instituto Médico Legal (IML) de Mogi. A mãe dela,  ao ver o corpo, soube que era a filha por reconhecer a cor do esmalte e uma pulseira. Além disso, as características físicas, como cabelos compridos e roupas que usava auxiliaram no reconhecimento.
Comoção 
O sepultamento foi marcado pela emoção. Familiares, conhecidos e amigos de Rayane estiveram no local. Antes de seguir para o túmulo, foi realizada uma breve missa na capela do cemitério. Nesse momento, a avó da jovem teve uma queda de pressão e precisou ser retirada do local. A todo instante, o pai, Marcio Paulino Alves, lembrava como a filha era uma menina feliz. "Ela jamais tentou fazer alguma coisa de mal a alguém, sempre quis o bem para todos, esse era o princípio dela. Ela sofreu com isso, sofreu com a violência que está no dia a dia, é algo que acontece saindo do ônibus, saindo de casa, e dessa forma nós pedimos justiça, mas tem a justiça dos homens e a justiça de Deus. Vamos aguardar, eu não tenho o que falar, acabei de deixar minha filha, fiz o sepultamento dela, só tenho a aguardar as investigações", disse. Mesmo com a situação, ele ressaltou que precisa ser forte, pois mais uma filha e a esposa. "Tenho a outra filha, Julia, a Marlene e eu que sou a base. Tenho que realmente lutar e tocar minha vida pra frente e aguardar que as autoridades investiguem o que ocorreu. Minha busca pela minha filha realmente já sanei", declarou Alves.
Movimento nas redes
Com o objetivo de ajudar outras famílias que passaram pela mesma situação, a prima de Rayane, Ana Caroline Paulino Gonçalves, 26, criou um movimento nas redes sociais denominado "Eu sou Rayane". Na próxima quinta-feira, acontecerá uma passeata às 19h30 no Largo do Rosário, em Mogi. "Quando passamos por isso percebemos que não é só nossa família que passa, e muitas famílias não são como a nossa, onde tem muitas pessoas envolvidas. As pessoas sofrem caladas, não sabem o que acontece, não tem nem oportunidade de se despedir do ente. Estou muito triste, não tenho palavras para dizer isso. Criei a página na madrugada e o objetivo é acolher outras famílias", afirmou. Até o fechamento desta reportagem a Polícia Civil ainda não havia se manifestado. A Polícia Militar informou que está à disposição da Civil.